English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

Procure no blog o assunto

Para pesquisar um assunto de seu interesse aqui no no blog, digite uma palavra chave na tarja branca acima e clique em pesquisar.

6 de março de 2011

Santa Luzia, ora-pro-nobis


Igreja de Santa Luzia

Pode ser até coincidência, mais alguma coisa não estava bem com o clima, chovia muito em várias cidades de Minas Gerais (final de dezembro de 2010) e não pudemos expandir as nossas pesquisas, sobre as histórias dos municípios que tínhamos programado para visitar. Dias depois ao retornar ao Rio de Janeiro, acontecia a tragédia da Região Serrana, por ocasião, também das fortes chuvas.
Como a chuva atrapalhava as nossas andanças e a pesquisas sobre o Ora-pro-nobis, pois tínhamos que visitar algumas propriedades, resolvemos sair de Sabará e optar por outra cidade histórica. Em nossa visita ao Museu de Artes e Ofícios, despertou também, atenção sobre os Tropeiros e decidimos saber qual a cidade mais próxima de BH tinha fatos sobre o tropeirismo.

 Então, fomos para Santa Luzia, que é um dos mais antigos de Minas Gerais que se originou com aventureiros em busca de riquezas e que com o fim da exploração do ouro, o velho lugarejo e depois povoado de Bom Retiro, tornou-se um importante centro comercial e ponto de parada dos tropeiros que vinham negociar e comprar mercadorias.

Estranhamente, mesmo com a passagem dos tropeiros por Santa Luzia, das histórias da cidade, pouco se refere com a presença de muares, tanto como transporte de cargas ou passeios ecológicos, bem como, a criação ou reprodução. O último levantamento feito é de 2003 e se refere aos equinos, com rebanho106 cabeças. A cidade está voltada apenas para o turismo religioso, pois mantém viva a cultura popular através de festas religiosas como: Nossa Senhora do Rosário, Folia de Reis e da padroeira da cidade, Santa Luzia. O município vem se destacando pelo seu potencial de desenvolvimento industrial, comercial e de serviços.

Em nossas andanças, pudemos perceber o orgulho dos moradores da cidade e dos velhos casarios, pois, sabem eles, que ali passou figuras importantes de nossa história, como o bandeirante Borba Gato, que implantou em 1692 o primeiro núcleo da Vila, as margens do Rio das Velhas. O imperador D. Pedro II visitou Santa Luzia em 1881, ficando hospedado no Solar da Baronesa, hoje, um centro de referência social e cultural do século XVI, localizado na Rua Direita, no Centro Histórico. Sendo um dos municípios mais antigo de Minas Gerais, Santa Luzia, mantém mais de três séculos de história, que começou em 1697, onde ergueu-se o definitivo povoado, que primeiramente era Arraial e recebeu o nome de Bom Retiro. 150 anos depois, em 1856, o povoado foi emancipado e desmembrado de Sabará e a partir de 1924, passou a se chamar Santa Luzia.

Solar da Baronesa

Tudo começou, em 1692, durante o ciclo do ouro, com remanescentes da bandeira de Borba Gato e o fim do garimpo de ouro de aluvião e com a enchente de um rio que existia um porto para os barcos que navegavam pelo Rio das Velhas, transportando mercadorias comercializadas em Minas Gerais. Assim, Santa Luzia passou a ser um ponto de referência do comércio, cultura e das artes. O pequeno vilarejo mudou-se para o alto da colina, onde hoje, é o Centro Histórico da cidade.
Santa Luzia já foi palco de batalha (1842), final da Revolução Liberal, entre as tropas do governista Coronel Lima e Silva (Duque de Caxias) e do liberalista Teófilo Otoni que defendia a descentralização do poder e a autonomia das províncias. O casarão, que abriga hoje a Casa da Cultura, antigo Solar Teixeira da Costa, foi o quartel general dos revolucionários e ainda guarda as marcas de balas em suas janelas. A batalha final foi travada no Muro de Pedras, entre as tropas dos revolucionários e do governo. O antigo solar da Baronesa é a maior residência em estilo barroco, ele foi construído pelo primeiro marido da Baronesa Maria Alexandrina de Almeida em 1845, no solar foram feitas inúmeras festas, entre elas, no dia da visita do Imperador D. Pedro II, em 1881, que era padrinho de batismo da Baronesa.

Solar Teixeira da Costa - Palco da Revolução Liberal

Assim, formou-se Santa Luzia, com a riqueza proporcionada pelo ouro e o estilo barroco presente nos casarios. O Santuário da Igreja Matriz de Santa Luzia, concluído em 1778, abrigam em seu interior pinturas do Mestre Ataíde e pequenas obras de Aleijadinho e o Museu de Artes Sacras, inaugurado recentemente. A Igreja do Rosário erguida em 1755 pelos negros, tem o seu interior simples, com altares dedicados à Nossa Senhora do Rosário, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores, hoje totalmente restaurada. Na Rua Direita, encontra-se a Capela do Bonfim, em estilo barroco, construída em 1711, em seu interior abriga a imagem de Nosso Senhor do Bonfim, esculpida por um escravo, em troca da sua alforria.

Há 12 km do Centro Histórico encontrara-se o Mosteiro de Macaúbas, construído em 1708, que foi o primeiro Colégio feminino de Minas Gerais, onde estudaram as filhas de Chica da Silva.
O Rio das Velhas teve grande importancia em Santa Luzia, pois foi visitada por uma aventureiro ingles, Richard Francis Burton em 1867 que vindo de Sabará de canoa, navegando o rio, hospedou-se num hotel que considerou muito precário, mais, barato para a época e teve sua atenção despertada pelo grande número de prostíbulos estabelecidos na vila apesar dela ser tida como sede de um santuário.
Infelismente, hoje, o Rio das Velhas sofre uma série de interferências. Boa parte do seu volume de água é captada por uma Estação de Tratamento. O rio recebe uma grande quantidade de esgoto através de afluentes como o Ribeirão Arrudas e o Ribeirão do Onça, que atravessam a cidade de Belo Horizonte. A degradação ambiental faz com que o Rio das Velhas se apresente em seu trecho mais conhecido como um rio de águas avermelhadas (em grande parte devido à presença de minério de ferro no solo da região), "barrenta”, extremamente poluída e assoreada. Praticamente não há vida nas águas do rio ao longo de muitos trechos.
Devido à importância histórica e ambiental, em 1997 foi iniciado um projeto, idealizado pela Escola de Medicina da UFMG. Com o objetivo de trazer de volta a vida à bacia do Rio das Velhas, o projeto iniciou uma série de ações para sensibilizar a opinião pública, que trariam resultados através do estabelecimento de políticas públicas municipais e estaduais, com controles mais rigorosos para os emissores de poluição instalados ao longo da bacia. O projeto tinha meta ambiciosa de revitalizar o Rio das Velhas no ano de 2010, mais, o que vimos lá, parece que naõ saiu do papel, uma pena.