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By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

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24 de fevereiro de 2011

Ora-pro-nobis - Parte III


Ora-pro-nobis (Peréskia aculeata Mill)

Andanças nas Minas Gerais - Sabará
Quando aluno do Colégio Técnico da UFRRJ, em aulas de Base da Produção, o Professor nos chamada a atenção sobre várias forrageiras plantadas no Campo Agrostológico, afirmando que todas tinham importância econômica na alimentação animal, que mereciam aprofundamento nos estudos e muito reforçaria o nosso aprendizado com a pesquisa e conhecimento das espécies, até mesmo, as que não tivessem ali inseridas. Foi o que fizemos, mesmo depois de formado, e nenhuma delas, nos chamou tanta atenção como a Pereskia aculeata, devido ás “historias” popular e estudos científicos poucos publicados, principalmente, por ser citada como “muito ótimo” na alimentação animal.
Quando nos deparamos com essa simples “moita de mato” espinhenta que só presta para formar cerca viva de proteção e na complementação na formação de jardins, essa era a nossa visão para a Ora-pro-nobis e para quem não conhece ou pesquisa cactáceas. Em nossas pesquisas, descobrimos lendas e “causos” dos mais variados, desde a colonização. Das mais populares, sobre a colheita e consumo, é que na verdade, os padres impediam os fiéis (pobres) de colher e consumir a planta, em vez de compartilhar o consumo. Então, às escondidas, os mais pobres que não tinham o que comer e que sabiam que os sacerdotes utilizavam a planta na alimentação, ai esperavam a hora das orações para poderem fazer a colheita da planta que nem o nome eles sabiam e que a “apelidaram” de ora-pro-nobis, pois, era o que ouviam, uma ladainha que vinha do interior de uma capela em Sabará enquanto colhiam a planta espinhenta. Outros, dizem que os padres compartilhavam, mais consumiam somente as flores e os autorizados na colheita, comiam as folhas.
Revelando-se economicamente viável no cultivo, a Ora-pro-nobis tem sido incentivado em vários pontos do Brasil, foi o que descobrimos sobre o arbusto de alto porte, que pode atingir mais de 4,0m de altura, de tronco lenhoso com espinhos grandes e verdes, folhas brilhantes, ovais e coriáceas. As flores são em cor rosada, muito vistosa, surgindo nas pontas dos ramos e que floresce do fim da primavera até o outono. Trepadeira arbustiva e única do gênero pertencente às cactáceas que tem folhas comuns como as outras plantas e não tem cladódios.
Buscando livros, periódicos, reportagens ou até mesmo, histórias contadas pelos moradores de Sabará, encontramos dificuldades, pois, nada vai além do que já estão divulgados. Dos estudos científicos, encontram-se vários, dentre eles, “Estudo anatômico de folha e caule de Pereskia aculeata (M.R. Duarte, e de S.S. Hayashi,) - Laboratório de Farmacognosia, Departamento de Farmácia, Universidade Federal do Paraná”; e uma descrição sobre o “Cultivo e Propriedades Medicinais da Ora-pro-nobis”, do Professor José Cambraia, da Universidade Federal de Viçosa. Em 2005, houve uma “Apresentação” editada pelo Eng. Agrônomo Antônio Alfredo Schimidt e pela Dra. Ivone Tambelli Schmidt, da IAPAR - Londrina – PR.
Como pesquisador independente, o Apicultor e Escritor de livros técnicos de apicultura, Nikolaos Argyrios, nos parece ser o maior divulgador. Afirma que dentre as espécies de melissotróficas da flora nativa, segundo suas pesquisas, destaca a Ora-pro-nobis (Peréskia aculeata Mill), como planta de alto valor econômico e ecológico, por ser nectarífera, polinífera, por ser cactácea comestível e também por possuir elevado percentual de proteína digestível, pelo organismo humano e de diversas espécies de animais, conforme demostrado pelo professor José Cambraia, da Universidade de Viçosa, de MG.
Na verdade, não encontramos de forma concreta, escritos que revelam a utilização da Pereskia como principal ou na complementação da alimentação animal ou que seja inserida como alimento de humanos em Unidade Didática de Pesquisa, Produção e Comercialização em instituições de ensino técnico.
Continuaremos os estudos, pois o que temos, é sobre o cultivo, trato do solo para o plantio e a utilização como ornamento e na culinária mineira, que falaremos no próximo post.