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By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

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30 de maio de 2015

Caminho da Fé – Agropecuária e Agroecologia de Águas da Prata

Águas da Prata, localizada na Serra da Mantiqueira proporciona em seu território uma natureza vasta e exuberante com belas paisagens e lindas cachoeiras. Por fazer divisa com Minas Gerais, Águas da Prata também guarda um histórico riquíssimo dos tempos áureos do café e da revolução de 1932, onde foi palco de alguns confrontos. Contrariando toda uma tradição histórica brasileira, em que os povoados surgiam ao redor de capelas e igrejas, Águas da Prata nasceu ao redor de uma estação ferroviária, em função do ciclo do café.
Logo após uma divisão administrativa do Brasil, no ano de 1933, o Distrito de Paz de Águas da Prata, figurava no Município de São João da Boa Vista. Elevado à categoria de município, passou a denominação de Estância Hidromineral de Águas da Prata, em julho de 1935 e com uma das principais atividades econômicas, a exploração de suas fontes de água, fato que a tornou reconhecida nacionalmente. Devido às características de seu relevo e clima ameno, o município tem um inegável potencial turístico, atrelado às qualidades medicinais de suas águas e à riqueza da diversidade da fauna e flora locais, poder-se-ia viabilizar um maior crescimento econômico cujo “produto” seria a preservação do meio ambiente, mas não tivemos essa visão em maio de 2015, ao percorrer o Caminho da Fé, projeto que se iniciou em 2003.
O desmatamento na região, bem como, a atividade mineraria traz consequência irreparáveis, tais como o “secamento” de nascentes e de cursos d’água, o assoreamento dos rios, a esterilidade da terra, a destruição dos ecossistemas naturais, trazendo a extinção de centenas de espécies de fauna e flora, a destruição da paisagem, riscos geológicos, sérios problemas na qualidade do ar e mudanças climáticas.
A importância de todo complexo ambiental e paisagístico de Águas da Prata é indiscutível, pela excepcionalidade das características existentes. Levantamentos feitos por biólogos e ecólogos apontaram que na região há espécies de mamíferos e de pássaros ameaçados de extinção. Levantamento arqueológico também dá conta que existam no lugar sítios arqueológicos importantes, além do que a área a ser minerada é facilmente sujeita à erosão.
Na área rural, o município deveria está sustentado pela agropecuária, distribuída no plantio de café com 1.100 ha; de batata com 450 ha; pecuária de leite e corte e suinocultura, das quais não se encontra dados estatísticos confiáveis da produção. No perímetro urbano a economia está vinculada pura e exclusivamente ao engarrafamento de água mineral.
Águas da Prata deve sua existência em razão de grande quantidade de sais minerais encontradas em suas águas, sendo que a origem do nome vem de uma corruptela do Tupi Guarani “Pay tâ” que ao ser pronunciada pelos portugueses tornou-se “Prata”.  “Pay tâ” que quer dizer em Tupi Guarani “Água Dependurada” em virtude da alta mineralização de águas que ao escorrerem próximas as minas, formam estalactites.
Nos primeiros tempos, constataram-se, através de uma primeira análise, as múltiplas propriedades medicinais das águas existentes na região. A divulgação propagou-se e iniciaram-se as margens da ferrovia a construção das primeiras casas. Em 1876 foi instalada a primeira engarrafadora de água no então Bairro de São João da Boa Vista, que mais tarde passou a Distrito com denominação de Estância Hidromineral, obtendo sua emancipação político administrativa em julho de 1935. A descoberta da fonte de água mineral, na margem do Ribeirão da Prata, em 1876 foi pelo dentista Rufino Luiz de Castro Gavião, que ali fazia caçadas, é atribuída ao acaso. O tal caçador percorria as terras de um lugar chamado Alegre, quando percebeu a preferência dos animais silvestres pela água da nascente, resolvendo prova-la, surpreendeu-se com suas qualidades. O fato foi relatado e comprovado por outras pessoas.
Com a inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana, ligando Cascavel (hoje Aguaí) a Poços de Caldas, em 1886, despertou o interesse dos cafeicultores da região para a estação de embarque da ferrovia no vale banhado pelo Ribeirão das Prata e o Córrego da Platina, que passaram a construir suas residências junto à estação, nascendo então um povoado, em 1913, e uma empresa para o fim em questão, fez surgir toda infraestrutura necessária na região.
Em 1916 fez-se o primeiro hotel e, por iniciativa particular de seus moradores, foi efetuada a análise química da água das fontes, constatando-se suas propriedades alcalinas. A vocação para Estância Hidromineral consolidou-se quando químicos do Departamento Geográfico e Geológico do Estado, pesquisando a região, fizeram prospecção das fontes, comprovando a viabilidade da exploração econômica de sua mineração.
É nessa pequena cidade que no dia 15/08/2003 foi criado o Caminho da Fé, caminho esse inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), do qual é possível percorrer 300 km pela Serra da Mantiqueira por estradas vicinais, trilhas, bosques e asfalto, proporcionando momentos de reflexão e fé, saúde física e psicológica e integração do homem com a natureza. A iniciativa proporciona e contribui com o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades ao longo do percurso, propiciando a integração cultural de seus habitantes com a dos peregrinos oriundos de todas as regiões do Brasil e de diferentes partes do mundo.