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By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

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24 de março de 2011

Taquaraçu de Minas e a qualidade do leite (Parte I) - Andanças nas Minas Gerais


Sabemos que as instalações são de grande importância na criação de animais, porque facilita no manejo e influi diretamente na produtividade e saúde do rebanho. Em nossas andanças nas Minas Gerais, ficamos preocupados com o que vimos, tratando-se da qualidade do leite. Logicamente, não queremos aqui generalizar, pois o que vimos, foi apenas em pequenas propriedades leiteira de Taquaraçu de Minas.
Não é um modo geral, mais notamos que as pequenas propriedades não possuem estrutura adequada para manejo dos animais. È comum produtores não dispor de um local coberto para a ordenha, sendo que alguns usam o próprio curral para ordenhar as vacas. Queremos acreditar, que é por falta de orientação técnica, de no mínimo, na melhor hipótese, conhecimento do Anexo III da IN nº 51 (Regulamento Técnico da Produção, Identidade e Qualidade do Leite Tipo C). Primordial a orientação e assistência técnica, pois, além do consumo do produto e alguns derivados, também são comercializados na região.
Passados quase dez anos após a vigência da Instrução Normativa nº 51, editada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que instituiu critérios para a produção, controle de qualidade, armazenamento e transporte do leite, constata-se que novos procedimentos vêm fixando uma nova cultura para o setor produtivo, que passou a priorizar o aspecto qualitativo da atividade. Nos parece, que naquele município mineiro, ninguém sabe disso, inclusive, procuramos na Prefeitura o setor que trata esse assunto e simplesmente ninguém sabia informar, obviamente perdoamos os “desinformados”, porque procuramos o assunto numa época agitada, afinal, todos estavam interessados puramente nos festejos natalinos. Andamos pela pequena cidade e procuramos também, órgãos específicos (federal ou estadual) e não encontramos.
Havia interesse, da nossa parte, saber informações sobre a agropecuária e agroecologia desse município visitado, então, procuramos os recursos virtuais, para a nossa surpresa, no Site da prefeitura não foi possível, pois no link da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, não consta noticias ou informes de suas atividades, se não, o nome do secretário. Seria de grande valia se os dados das demandas da agropecuária de Taquaraçu de Minas fossem divulgados, pois serviria para que este blog fizesse comparativos das atividades sem correlacionar e generalizar os pontos nocivos do que vimos, em relação a qualidade do leite e seus derivados produzidos naquela região, assunto que falaremos no próximo post.

20 de março de 2011

Ora-pro-nobis - Andanças nas Minas Gerais (Parte V - final)


Há duas variedades mais conhecidas desta planta. A Pereskia aculeata Mill, que é a do tipo “trepadeira” e a Pereskia grandiflora Haworth, que tem forma arbustiva.
A P. grandiflora pode atingir mais de 6 metros de altura, apresenta folhas grandes, ovais e brilhantes. Na floração, um buque cor de rosado apresenta-se de forma magnífica. Com a formação dos frutos, cada um em formato de uma pequena pêra, em que muitas vezes, surge na ponta uma nova flor e em seguinte, outro fruto. Uma curiosidade, na formação dos frutos (no buque), vem semelhança a um colar ou rosário, o que provavelmente, deu origem ao nome a planta, Ora-pro-nobis.
Esta variedade (P.grandiflora) é a mais indicada para a composição de “sebes” ou cercas vivas, pois, com mais espinhos, oferece melhor proteção, e a decoração quando bem manejada, fica mais vistosa. Presume-se que a planta seja originária da América Tropical. Segundo o botânico Manoel Pio Correa, citado no Livro de Ouro das Flores (2004), da autora Cecilia Beatriz L. V. Soares – a planta pode ser também, nativa nos estados de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.

Em nossas leituras, notamos que alguns autores, referem-se a planta como originária das Antilhas e litoral do Golfo do México. Fazem nomenclaturas e sinônimos botânicos diversos, inclusive o popular “mata velha” (exemplo: Pereskia acardia Parm. e P. longispina Haw), que também são cactáceas com as mesmas características, então desconsideramos, para não alongar este post e facilitar a leitura de nossos seguidores e leitores, pois é complexa a família botânica das cactáceas (84 gêneros e 1.400 espécies), pois, nem todas são comestíveis ou tão pouco, pode ser utilizadas na agricultura ou na medicina popular, que são utilizadas para aliviar processos inflamatórios e na recuperação da pele em casos de queimaduras.
Há “relatos”, além de lendas, que durante o ciclo do ouro em Minas Gerais, muitas receitas eram preparadas com a planta Ora-pro-nobis, serviu para “matar” a fome de escravos e de seus descendentes alforriados, no entanto, fizemos leituras de trechos em 23 obras, dos anos de 1690 a 1789 (books.google/tradutor) e não encontramos registros da planta sendo utilizada na culinária, sobre qualquer forma, mesmo nas datas do período colonial e do ciclo do ouro no Brasil, apenas encontramos registros de dados botânicos, (plantio, formas de propagação e de manejos em jardins).
Como era nosso interesse, não encontramos referencias ou dados científicos da utilização ou de resultados da planta na alimentação animal, além das informações já contidas na mídia digital. Quanto a dispersão biológica dessa cactácea, as informações se confundem, pois carece de consistência das fontes, para afirmar sua origem, no que concerne ao genero Pereskia.

Como plantar:

Solo: qualquer tipo (melhor com adubação orgânica);
Clima: tropical e subtropical;
Área mínima: Não há, pode ser plantada em jardins e quintais;
Colheita: a partir do terceiro mes após o plantio, inclusive para aplicar uma estética na planta;
Custos: órgãos de extensão rural de municípios, podem fornecer estacas ou mudas;

Cultivo

A variedade mais indicada para cultivo com fins comerciais é a que produz flores brancas. Elas podem ser fornecidas por órgãos de extensão rural ou em feiras de produtores;
Sua rusticidade permite que seja cultivada em diversos tipos de solo, inclusive não exige que eles sejam férteis. A ora-pro-nobis também se desenvolve em ambientes com incidência de sol ou meia-sombra. Melhor no começo do período das chuvas. A planta é resistente à seca, mas o acesso à água nessa fase do cultivo estimula o crescimento dos ramos.
A ora-pro-nobis é propagada por meio de estacas. Para conseguir melhor pegamento das mudas, use a região localizada entre as partes mais tenras e as mais lenhosas da haste. Corte cada estaca com 20 centímetros de comprimento e enterre um terço dele em substrato composto por uma parte de terra de subsolo e outra de esterco curtido. Após o enraizamento, transplante as mudas para o local definitivo.
O espaçamento varia de acordo com a finalidade do cultivo. A ora-pro-nobis pode ser usada como cerca viva, ornamentação e para consumo das folhas. Se a prioridade for o alimento, pode-se adensar o espaçamento, deixando de 1 a 1,30 metro entre fileiras e de 40 a 60 centímetros entre plantas. Mas as folhas podem ser consumidas em qualquer caso, mesmo se a destinação tiver fins ornamentais ou a construção de cerca viva.

Manejo

Embora seja pouco exigente em adubações, mantenha bom nível de matéria orgânica no solo para um pleno desenvolvimento das plantas e boa produção de folhas. Faça manutenção a cada dois meses e execute podas dos ramos a cada 75 a 90 dias na estação chuvosa e a cada 90 a 100 dias na estação seca, quando a planta deve ser irrigada.

A partir de três meses após o plantio, pode ser iniciada a colheita das folhas da ora-pro--nobis - após a poda dos galhos. As folhas devem apresentar de 7 a 10 centímetros de comprimento. Coloque luvas para a hora da coleta, a fim de evitar ferimentos pelos espinhos. Em geral, cada corte rende entre 2.500 e 5.000 quilos de folhas por hectare, variação que ocorre de acordo com a condução e a época de desenvolvimento da cultura.

Para as postagens da série ora-pro-nobis (andanças) nas Minas Gerais:

Agradecemos as pessoas que conversaram conosco nos municípios de Belo Horizonte, Santa Luzia, Sabará e Taquaraçu de Minas. Os locais foram citados nas postagens.

Nossas leituras:

O Livro de Ouro das Flores – por Cecilia Beatriz L. da Veiga Soares (2002) – Editora Ediouro Publicações – Rio de Janeiro;
Viagem gastronomica através do Brasil – por Caloca Fernandes (2001) Editora Senac – São Paulo;
Manual de olericultura: cultura e comercialização de hortaliças - Ceres 8 – por Fernando Antônio Reis Filgueira (1972) Editora Agronômica;
Horticultura brasileira: revista da Sociedade de Olericultura do Brasil, Volume 24, Editora A Sociedade, 2006;
Frutas: sabor à primeira dentada – por Gil Felippe, Editora Senac, 2004;
Enciclopédia agrícola brasileira: I-M - Volume 4 de Enciclopédia agrícola brasileira, Por Francisco Ferraz de Toledo - Colaborador Julio Seabra Inglez Souza (2004) - Editora EdUSP;
Revista Brasileira de biologia, Volume 57, Edições 3-4 - Autores Academia Brasileira de Ciências, Sociedade de Biologia do Brasil - Editora Academia Brasileira de Ciências, 1997 - Original de Universidade de Michigan;
O Jardim: uma revista ilustrada semanal de jardinagem em todas as suas ramificações, Volume 49, William Robinson - Editora sn, 1896, Original de Universidade de Michigan – Digitalizado/out. 2009;
The Horticulturist, and Journal of rural art and rural taste, Volume 11 - Volume 656;Volumes 890-893 de American periodical series, 1800-1850. Por Andrew Jackson Downing -Published by Luther Tucker, 1856, Original de Universidade da Califórnia Digitalizado/fev. 2009

Sites consultados

Melissotroficas - disponível em: http://www.melissotroficas.com.br/index.asp
Globo Rural - disponível em: http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI160017-18293,00-ORAPRONOBIS.html
Universidade Federal de Lavras – disponível em: http://www2.ufla.br/~wrmaluf/bth037/bth037.html
Plantas Medicinais (USP-EsalQ) – disponível em: http://ci-67.ciagri.usp.br/pm/index.asp





12 de março de 2011

Ora-pro-nobis - Parte IV


O que transcrevemos aqui, vem de leituras em matérias jornalísticas (revistas, jornais, Globo Rural, sites e blogs de assuntos culinários), entrevistas com moradores de Sabará e Santa Luzia, por ocasião de nossa visita nesses municípios. Dos informes técnicos, nos parece, que a única fonte conhecida de informação cientifica, são de autoria do Professor José Cambraia da Universidade Federal de Viçosa, onde ele descreve, sem muitos detalhes, a classificação taxonomica, dos princípios nutricionais da planta e o manejo de plantio.
Há alguns estudos, que apontam dados etnobotânicos, revelando que na Pereskia grandifolia e a Pereskia aculeata, denominadas popularmente de Ora-pro-nobis, as folhas são empregadas topicamente como emoliente na medicina popular, em razão do seu conteúdo mucilaginoso e adicionalmente, são consumidas na culinária regional brasileira, levando indústrias alimentícias a incluí-las em complementos alimentares, devido ao alto teor do Biopolímero Arabinogalactana (açúcares, aminoácidos e nucleotídeos). Esses dados estão conclusos na “Análise Morfo-anatômica de Folhas de Pereskia grandifolia Haw”, em 2004, estudos feitos por: Paulo V. Farago (UEPG, Ponta Grossa, PR); Inês J. M. Takeda (UNICENP, Curitiba, PR) e de Jane M. Budel e Márcia R. Duarte (UFPR, Departamento de Farmácia, Curitiba, PR).
Há também, estudo anatômico de folha e caule de Pereskia aculeata Mill, concluindo estudo anatômico de folha e caule, apresentando caracteres estruturais que contribuem na identificação da planta no uso medicinal e que podem ser aplicáveis ao seu controle de qualidade, e devem ser considerados em conjunto, levando-se em conta que alguns caracteres comuns a outros representantes do gênero e isoladamente não apresentam valor taxonômico para sua diferenciação, uma vez que espécies em grupos muito próximos apresentam caracteres estruturais e compostos químicos em comum. Esses estudos foram feitos M.R. Duarte e S.S. Hayashi do Laboratório de Farmacognosia, Departamento de Farmácia, Universidade Federal do Paraná.

Em nossas leituras, descobrimos que, além de não possuir nenhum princípio tóxico, a Ora-pro-nobis é extremamente rico em proteínas de boa qualidade. Das análises feitas em folhas mostram que este vegetal possui 25% de proteínas, sendo alta a sua digestibilidade, cerca de 85%. Apresenta uma composição bem balanceada, com certos aminoácidos essenciais, em teores excepcionalmente elevados, destacando-se a lisina, cujo teor no "ora-pro-nobis" foi superior ao de vários alimentos tomados para comparação em relação a outros alimentos, por gramas/Kg de peso seco: Ora-Pro-Nobis (11,5); Milho comum (2,3); Couve (0,5); Alface (0,5) e Espinafre (1,6).

Conhecida popularmente como “carne dos pobres”, o que se sabe, que das suas folhas sem sabor, pode ser adicionadas a qualquer comida: saladas, lanches, sucos, bolos, pizzas, sorvetes, a qualquer receita. Tendo mais ferro que a carne ou o feijão, mais cálcio e fósforo para os ossos que o leite, magnésio e vitamina C para a resistência imunológica, vitamina A para a visão, Triptofano para o cérebro, Lisina para o crescimento, mucilagem para funcionamento perfeito do intestino, ótima para regimes de emagrecimento e muitas outras vantagens.
Com sua característica espinhenta, é a planta campeã para cercas vivas. Quanto a sua serventia para alimentar animais e a que fêmeas em lactação produz leite de excelente qualidade, não encontramos estudos científicos, que confirmem esta afirmação.


No próximo e derradeiro post, descreveremos a forma de plantio, exigência de solo e adubação.

Glossário:

Etnobotânicos - é a ciência, ligada à Botânica e à antropologia, estuda as interações entre pessoas e plantas em sistemas dinâmicos. Também consiste no estudo das aplicações e dos usos tradicionais dos vegetais pelo homem. É uma ciência multidisciplinar que envolve botânicos, antropólogos, farmacólogos, médicos, engenheiros;

Biopolímero - são polímeros produzidos por seres vivos. Celulose, amido, quitina, proteínas, péptidos, ADN e ARN são exemplos de biopolímeros, nos quais as unidades monoméricas são, respectivamente, açúcares, aminoácidos e nucleotídeos;

Arabinogalactana - é uma espécie de proteína, glicoproteína, rica em hidroxiprolina e altamente glicosilada. Estão presentes em todas as plantas, particularmente abundantes nas paredes celulares, na membrana citoplasmática e em secreções extracelulares;

Emoliente - são formulações semisólidas, viscosas e monofásicas, possuindo combinações de água, óleos e gorduras, destinadas a ajudar a hidratar a pele e restaurar a oleosidade perdida devido ao ressecamento da pele;

Mucilaginoso - no sentido botânico é uma secreção rica em polissacarídeos. Retém a água aumentando de volume. Encontra-se, em alta concentração, em raízes aquáticas para sua proteção, envolvendo algumas sementes. São fibras onde a parede externa é lignificada e a interna contém muita celulose, é pobre em lignina, denominada camada G, absorve muita água.







6 de março de 2011

8 de março Dia Internacional da Mulher

Este blog faz homenagens ao Dia Internacional da Mulher.
Citamos algumas para representar os marcos das Conquistas das Mulheres na História.
Por suas lutas, conquistas, participação política, educação e papel da mulher na sociedade.

Elena Piscopia Cornaro - Primeira mulher com diploma superior/1678


Drª Veridiana Victoria Rossetti - Agronoma/ ESALQ-1939

                                        Celina Guimaraes - Primeira eleitora no Brasil

Luiza Alzira Soriano de Souza - Primeira mulher eleita Prefeita e Vereadora no Brasil

Drª Ana Primavesi - Pioneira da Agroecologia no Brasil



Drª Dilma Vana Rousseff - Economista, primeira mulher eleita Presidente do Brasil


Drª Sandra Barros Sanchez - Educação Agrícola - Vice Diretora do CTUR/UFRRJ

Minha mãe - Srª Beatriz Pereira dos Santos - Analfabeta - Agricultora familiar 

Minha irmã - Ana Cristina Lopes de Lima - Técnica em Hotelaria - CTUR/UFRRJ

As datas e os marcos das conquistas:

• 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

• 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

• 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

• 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

• 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

• 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

• 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

• 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

• 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças

• 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina

• 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Santa Luzia, ora-pro-nobis


Igreja de Santa Luzia

Pode ser até coincidência, mais alguma coisa não estava bem com o clima, chovia muito em várias cidades de Minas Gerais (final de dezembro de 2010) e não pudemos expandir as nossas pesquisas, sobre as histórias dos municípios que tínhamos programado para visitar. Dias depois ao retornar ao Rio de Janeiro, acontecia a tragédia da Região Serrana, por ocasião, também das fortes chuvas.
Como a chuva atrapalhava as nossas andanças e a pesquisas sobre o Ora-pro-nobis, pois tínhamos que visitar algumas propriedades, resolvemos sair de Sabará e optar por outra cidade histórica. Em nossa visita ao Museu de Artes e Ofícios, despertou também, atenção sobre os Tropeiros e decidimos saber qual a cidade mais próxima de BH tinha fatos sobre o tropeirismo.

 Então, fomos para Santa Luzia, que é um dos mais antigos de Minas Gerais que se originou com aventureiros em busca de riquezas e que com o fim da exploração do ouro, o velho lugarejo e depois povoado de Bom Retiro, tornou-se um importante centro comercial e ponto de parada dos tropeiros que vinham negociar e comprar mercadorias.

Estranhamente, mesmo com a passagem dos tropeiros por Santa Luzia, das histórias da cidade, pouco se refere com a presença de muares, tanto como transporte de cargas ou passeios ecológicos, bem como, a criação ou reprodução. O último levantamento feito é de 2003 e se refere aos equinos, com rebanho106 cabeças. A cidade está voltada apenas para o turismo religioso, pois mantém viva a cultura popular através de festas religiosas como: Nossa Senhora do Rosário, Folia de Reis e da padroeira da cidade, Santa Luzia. O município vem se destacando pelo seu potencial de desenvolvimento industrial, comercial e de serviços.

Em nossas andanças, pudemos perceber o orgulho dos moradores da cidade e dos velhos casarios, pois, sabem eles, que ali passou figuras importantes de nossa história, como o bandeirante Borba Gato, que implantou em 1692 o primeiro núcleo da Vila, as margens do Rio das Velhas. O imperador D. Pedro II visitou Santa Luzia em 1881, ficando hospedado no Solar da Baronesa, hoje, um centro de referência social e cultural do século XVI, localizado na Rua Direita, no Centro Histórico. Sendo um dos municípios mais antigo de Minas Gerais, Santa Luzia, mantém mais de três séculos de história, que começou em 1697, onde ergueu-se o definitivo povoado, que primeiramente era Arraial e recebeu o nome de Bom Retiro. 150 anos depois, em 1856, o povoado foi emancipado e desmembrado de Sabará e a partir de 1924, passou a se chamar Santa Luzia.

Solar da Baronesa

Tudo começou, em 1692, durante o ciclo do ouro, com remanescentes da bandeira de Borba Gato e o fim do garimpo de ouro de aluvião e com a enchente de um rio que existia um porto para os barcos que navegavam pelo Rio das Velhas, transportando mercadorias comercializadas em Minas Gerais. Assim, Santa Luzia passou a ser um ponto de referência do comércio, cultura e das artes. O pequeno vilarejo mudou-se para o alto da colina, onde hoje, é o Centro Histórico da cidade.
Santa Luzia já foi palco de batalha (1842), final da Revolução Liberal, entre as tropas do governista Coronel Lima e Silva (Duque de Caxias) e do liberalista Teófilo Otoni que defendia a descentralização do poder e a autonomia das províncias. O casarão, que abriga hoje a Casa da Cultura, antigo Solar Teixeira da Costa, foi o quartel general dos revolucionários e ainda guarda as marcas de balas em suas janelas. A batalha final foi travada no Muro de Pedras, entre as tropas dos revolucionários e do governo. O antigo solar da Baronesa é a maior residência em estilo barroco, ele foi construído pelo primeiro marido da Baronesa Maria Alexandrina de Almeida em 1845, no solar foram feitas inúmeras festas, entre elas, no dia da visita do Imperador D. Pedro II, em 1881, que era padrinho de batismo da Baronesa.

Solar Teixeira da Costa - Palco da Revolução Liberal

Assim, formou-se Santa Luzia, com a riqueza proporcionada pelo ouro e o estilo barroco presente nos casarios. O Santuário da Igreja Matriz de Santa Luzia, concluído em 1778, abrigam em seu interior pinturas do Mestre Ataíde e pequenas obras de Aleijadinho e o Museu de Artes Sacras, inaugurado recentemente. A Igreja do Rosário erguida em 1755 pelos negros, tem o seu interior simples, com altares dedicados à Nossa Senhora do Rosário, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores, hoje totalmente restaurada. Na Rua Direita, encontra-se a Capela do Bonfim, em estilo barroco, construída em 1711, em seu interior abriga a imagem de Nosso Senhor do Bonfim, esculpida por um escravo, em troca da sua alforria.

Há 12 km do Centro Histórico encontrara-se o Mosteiro de Macaúbas, construído em 1708, que foi o primeiro Colégio feminino de Minas Gerais, onde estudaram as filhas de Chica da Silva.
O Rio das Velhas teve grande importancia em Santa Luzia, pois foi visitada por uma aventureiro ingles, Richard Francis Burton em 1867 que vindo de Sabará de canoa, navegando o rio, hospedou-se num hotel que considerou muito precário, mais, barato para a época e teve sua atenção despertada pelo grande número de prostíbulos estabelecidos na vila apesar dela ser tida como sede de um santuário.
Infelismente, hoje, o Rio das Velhas sofre uma série de interferências. Boa parte do seu volume de água é captada por uma Estação de Tratamento. O rio recebe uma grande quantidade de esgoto através de afluentes como o Ribeirão Arrudas e o Ribeirão do Onça, que atravessam a cidade de Belo Horizonte. A degradação ambiental faz com que o Rio das Velhas se apresente em seu trecho mais conhecido como um rio de águas avermelhadas (em grande parte devido à presença de minério de ferro no solo da região), "barrenta”, extremamente poluída e assoreada. Praticamente não há vida nas águas do rio ao longo de muitos trechos.
Devido à importância histórica e ambiental, em 1997 foi iniciado um projeto, idealizado pela Escola de Medicina da UFMG. Com o objetivo de trazer de volta a vida à bacia do Rio das Velhas, o projeto iniciou uma série de ações para sensibilizar a opinião pública, que trariam resultados através do estabelecimento de políticas públicas municipais e estaduais, com controles mais rigorosos para os emissores de poluição instalados ao longo da bacia. O projeto tinha meta ambiciosa de revitalizar o Rio das Velhas no ano de 2010, mais, o que vimos lá, parece que naõ saiu do papel, uma pena.

24 de fevereiro de 2011

Ora-pro-nobis - Parte III


Ora-pro-nobis (Peréskia aculeata Mill)

Andanças nas Minas Gerais - Sabará
Quando aluno do Colégio Técnico da UFRRJ, em aulas de Base da Produção, o Professor nos chamada a atenção sobre várias forrageiras plantadas no Campo Agrostológico, afirmando que todas tinham importância econômica na alimentação animal, que mereciam aprofundamento nos estudos e muito reforçaria o nosso aprendizado com a pesquisa e conhecimento das espécies, até mesmo, as que não tivessem ali inseridas. Foi o que fizemos, mesmo depois de formado, e nenhuma delas, nos chamou tanta atenção como a Pereskia aculeata, devido ás “historias” popular e estudos científicos poucos publicados, principalmente, por ser citada como “muito ótimo” na alimentação animal.
Quando nos deparamos com essa simples “moita de mato” espinhenta que só presta para formar cerca viva de proteção e na complementação na formação de jardins, essa era a nossa visão para a Ora-pro-nobis e para quem não conhece ou pesquisa cactáceas. Em nossas pesquisas, descobrimos lendas e “causos” dos mais variados, desde a colonização. Das mais populares, sobre a colheita e consumo, é que na verdade, os padres impediam os fiéis (pobres) de colher e consumir a planta, em vez de compartilhar o consumo. Então, às escondidas, os mais pobres que não tinham o que comer e que sabiam que os sacerdotes utilizavam a planta na alimentação, ai esperavam a hora das orações para poderem fazer a colheita da planta que nem o nome eles sabiam e que a “apelidaram” de ora-pro-nobis, pois, era o que ouviam, uma ladainha que vinha do interior de uma capela em Sabará enquanto colhiam a planta espinhenta. Outros, dizem que os padres compartilhavam, mais consumiam somente as flores e os autorizados na colheita, comiam as folhas.
Revelando-se economicamente viável no cultivo, a Ora-pro-nobis tem sido incentivado em vários pontos do Brasil, foi o que descobrimos sobre o arbusto de alto porte, que pode atingir mais de 4,0m de altura, de tronco lenhoso com espinhos grandes e verdes, folhas brilhantes, ovais e coriáceas. As flores são em cor rosada, muito vistosa, surgindo nas pontas dos ramos e que floresce do fim da primavera até o outono. Trepadeira arbustiva e única do gênero pertencente às cactáceas que tem folhas comuns como as outras plantas e não tem cladódios.
Buscando livros, periódicos, reportagens ou até mesmo, histórias contadas pelos moradores de Sabará, encontramos dificuldades, pois, nada vai além do que já estão divulgados. Dos estudos científicos, encontram-se vários, dentre eles, “Estudo anatômico de folha e caule de Pereskia aculeata (M.R. Duarte, e de S.S. Hayashi,) - Laboratório de Farmacognosia, Departamento de Farmácia, Universidade Federal do Paraná”; e uma descrição sobre o “Cultivo e Propriedades Medicinais da Ora-pro-nobis”, do Professor José Cambraia, da Universidade Federal de Viçosa. Em 2005, houve uma “Apresentação” editada pelo Eng. Agrônomo Antônio Alfredo Schimidt e pela Dra. Ivone Tambelli Schmidt, da IAPAR - Londrina – PR.
Como pesquisador independente, o Apicultor e Escritor de livros técnicos de apicultura, Nikolaos Argyrios, nos parece ser o maior divulgador. Afirma que dentre as espécies de melissotróficas da flora nativa, segundo suas pesquisas, destaca a Ora-pro-nobis (Peréskia aculeata Mill), como planta de alto valor econômico e ecológico, por ser nectarífera, polinífera, por ser cactácea comestível e também por possuir elevado percentual de proteína digestível, pelo organismo humano e de diversas espécies de animais, conforme demostrado pelo professor José Cambraia, da Universidade de Viçosa, de MG.
Na verdade, não encontramos de forma concreta, escritos que revelam a utilização da Pereskia como principal ou na complementação da alimentação animal ou que seja inserida como alimento de humanos em Unidade Didática de Pesquisa, Produção e Comercialização em instituições de ensino técnico.
Continuaremos os estudos, pois o que temos, é sobre o cultivo, trato do solo para o plantio e a utilização como ornamento e na culinária mineira, que falaremos no próximo post.



22 de fevereiro de 2011

Andanças nas Minas Gerais - Artes e Ofícios


Museu de Artes e Ofícios - Praça da Estação - BH

Enquanto faziamos as nossas andanças buscando informações sobre o Ora-pro-nobis, chegamos ao Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte, inaugurado em dezembro de 2005, como o primeiro empreendimento museológico brasileiro dedicado integralmente ao tema do trabalho, das artes e ofícios no país. Um belissimo prédio localizado numa antiga estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, na Praça Rui Barbosa, mais conhecida como Praça da Estação. O MAO é um bem estruturado espaço em termos de organização, estrutura para as exposições e uso de recursos audiovisuais, próprio para visitações culturais ou com objetivo de pesquisas estudantis, pois, tem um patrimônio público de uma coleção de mais de 2.400 peças, dos séculos XVIII ao XX. A coleção mostra a riqueza da produção popular na era pré-industrial: os fazeres, artes e ofícios que deram origem às profissões contemporâneas. Ao percorrer entre as peças expostas, encontra-se um suporte de recursos museográficos e de ações educativas, o visitante ver um amplo painel da história e das relações sociais do trabalho no Brasil nos últimos três séculos.
Lá voce tem um encontro com a história. É emocionante estar tão perto de todos os “apetrechos” dos Tropeiros, Canoeiros, Sapateiro, Ferreiro e vários equipamentos agrícolas que foram importantes para o homem do campo.
O MAO está instalado na Estação Central, centro da capital mineira, por onde transitam milhares de pessoas diariamente. É assim, um espaço coerente, bem próximo ao trabalhador. Para abrigar o Museu foram restaurados dois prédios antigos de rara beleza arquitetônica, tombados pelo patrimônio público.





18 de fevereiro de 2011

Ora-pro-nobis - Parte II


Pereskia aculeata Mill

Andanças nas Minas Gerais - Sabará
Vejam as fotos no final do texto:

Logo que comecei a pesquisar a Ora-pro-nobis, já descobri que não tem praga que detenha essa planta, o mais interessante, era saber que é de cultivo fácil e de baixo custo, mais interessante ainda, era saber que seu cultivo atende agricultores de poucos recursos financeiros para alimentar suas famílias e seus animais. Carinhosamente chamado pelos mineiros de Lobrobo ou Orabrobo, a designação do Gênero desta Cactácea é uma homenagem ao astrônomo e botânico francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc (1580-1637). Aculeata vem do latim e significa espinho ou agulha. . Também é conhecida por rosa-madeira, jumbeba, groselha de barbados, groselha das Américas e guaiapá (nome indígena que significa fruta que tem espinhos) e trepadeira limão. Em alguns países, tem outros nomes: Em Cuba é Ramo de noiva; na Venezuela é Guamacho; no Mexico é Bugambilia branca.
Aqui no Brasil o mais popular é Ora-pro-nobis, nome que foi dado por pessoas que faziam a colheita de uma desconhecida planta no quintal de um padre, enquanto ele balbuciava uma ladainha em latim o seu “ora-pro-nobis”.
Curiosidades a parte, pois muitas histórias são contadas na Cidade de Sabará, a 25 km de Belo Horizonte. No distrito de Pompéu, o ora-pro-nobis ganha espaço na culinária mineira e garante renda para produtores de hortaliças da região, pois foi lá, saboreando um bom “prato cheio” de angú com frango caipira, coberto de certo molho verde, que busquei as maiores informações sobre a Ora-pro-nobis. Um dos locais mais conhecido que visitei é o Alambique JP, que difundi a sua produção de cachaça e tem um restaurante de comidas típicas e mantem ainda, toda a produção hortícola (orgânica) direcionado ao consumo interno do restaurante. Leva-se tanto a sério, que a ora-pro-nobis começa a ser cultivado para fins comerciais e com boa dose de lucratividade, e deixou de ser mera planta de cerca viva, e agora tem o seu próprio festival gastronômico.

Outro local conhecido e o restaurante Moinho D’água, também em Pompeu, que tem como prato principal “marreco com ora-pro-nobis”, receita que ganhou o primeiro concurso gastronômico promovido em Sabará.
Conhecida como a “carne dos pobres, a Ora-pro-nobis, tem o apicultor Nikolaos Argyrios Mitsiotis, como o maior pesquisador e acredita que essa cactacea, “de alto valor econômico e ecológico” (melissografia é a principal), vai ser rapidamente difundida por todo o Brasil e países da América do Sul. Isso porque nasce bem em todas as regiões e é extremamente nutritivo.

De acordo com informes técnicos da Universidade Federal de Viçosa, através do Prof. José Cambraia, a ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Mill), “é uma planta cujas folhas podem ser utilizadas não somente na alimentação humana, como também animal, ,pois, além de não possuir nenhum princípio tóxico, é extremamente rico em proteína”.
Essa pesquisa, falaremos no próximo post.
Horta orgânica do Alambique JP


Frutos do Ora-pro-nobis

Toda a adubação do Alambique JP é organica

Sistema de irrigação - Alambique JP

Ora-pro-nobis com frango caipira

Fogão a lenha do JP







16 de fevereiro de 2011

Ora-pro-nobis - Parte I

Loja especializada em pimentas - Mercado Central de BH

Andanças nas Minas Gerais - Mercado Central de BH

Foi nossa intenção, mesmo em férias (dezembro de 2010), aproveitar as nossas andanças em Minas Gerais, para buscar nos municípios visitados, assuntos interessantes que pudessem ser postados em nosso blog. Na verdade, o propósito de nossa ida a Minas Gerais era para visitar meus netos. Além da estada na casa de minha filha, tracei um roteiro para melhor aproveitar o que tinha de cultural em BH e nos municípios vizinhos.
Então, em Belo Horizonte, visitamos Bibliotecas, o Museu de Arte da Pampulha, Museu de Artes e Ofícios (Praça da Estação), Museu da UFMG, e muitos outros centros culturais, com ou sem visitas monitoradas, afinal, BH comemorava 113 anos e a prefeitura estava oferecendo uma agenda cultural extensa, com diversas mostras e que valia apena curtir. Mais, o nosso foco, era buscar informações que pudesse trazer para nossos leitores, o Mercado Central (antigo Mercado Municipal), era sem dúvidas o melhor local, diante de sua história.


O mercado foi criado em setembro de 1929, quando o prefeito Cristiano Machado reuniu feirantes num terreno de 22 lotes, próximo à Praça Raul Soares, centralizando todo o abastecimento da cidade. As barracas de madeira se enfileiravam em 14.000m2 do terreno descoberto, circundado pelas carroças que transportavam os produtos, quando o então prefeito Jorge Carone resolveu vender o terreno, alegando impossibilidade de administrar a feira. Depois de vários conflitos administrativos e desde 1964, aquele belíssimo espaço comercial, vem ganhado notoriedade cultural, pois, lá se encontra de tudo, produtos da agropecuária e da agricultura familiar, artesanatos, artigos religiosos, venda de animais e a boa comida mineira. Andando entre os 99 corredores e visitando uma das quase 500 lojas, procurando variedades de pimenta, foi que ouvi falar a expressão “Ora-pro-nobis com angú”. Procurei saber com detalhes o porque daquela expressão, e descobri que a Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata, Mill) era uma cactácea folhosa, considerada, para os mineiros, a “carne dos pobres” e que existia na cidade de Sabará, um evento gastronômico com a tal Ora-pro-nobis. Fui lá descobri e pesquisei a Pereskia, que falaremos no próximo post.

Veja a história do Mercado Central de BH:
 http://www.mercadocentral.com.br/index.php?page=mercado

12 de fevereiro de 2011

Andanças nas Minais Gerais


Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG

Por ocasião dos acontecimentos na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro, deixamos de abordar assuntos relacionados à agropecuária e agroecologia, que é o perfil de nosso blog e por ser de interesse estudantil. Não postamos, conforme prometido, assuntos relacionados às atividades rurais de Minas Gerais, em nossas visitas em 2010, aos municípios de Belo Horizonte, Sabará, Santa Luzia e Taquaraçu de Minas. Em nossas andanças, busquei assuntos que pudesse ser de interesse aos leitores e seguidores que nos acessam. Relataremos essas visitas e ilustraremos com fotos. As matérias extensas serão divididas em post’s reduzidos, para que as leituras não fiquem cansativas e desinteressantes. As matérias serão: A cultura do Ora-pro-nobis, Qualidade do leite e derivados em pequenas propriedades, Plantas medicinais e a falta de assistência técnica por parte dos pequenos municípios.

Canteiros de plantas medicinal - UFMG

Estufa: estudos de espécies da Mata Atlantica

Centro de atendimento ao turista -  Sabará

Acompanhado de minha filha - Saboreando um bom prato  de Ora-pro-nobis com galinha caipira
Restaurante do Alambique JP - Sabará

No lombo de burro - Visitas em propriedades em Taquaraçu de Minas

Já publicamos (06/01/2011) “Presépio do Pipiripau”, que é um espaço de interesse cultural do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, que despertou nossa atenção, e na biblioteca, fizemos leituras em obras que pudesse melhor ilustrar as nossas pesquisas. Então, faremos as nossas postagens, e a primeira será: “A cultura do Ora-pro-nobis”.

8 de fevereiro de 2011

Cemitério dos Passarinhos (resposta aos leitores)

Resposta aos leitores do Blog, que nos enviaram críticas sobre o Cemitério dos Pássaros na Ilha de Paquetá.

Logicamente, e se perceber, que não se trata de incentivo ao aprisionamento de animais silvestres (pássaros). A idealização do cemitério dos pássaros foi em 1915 por Pedro Paulo Bruno, artista e amante da natureza, sobretudo, tinha grande respeito ao meio ambiente. O espaço para o sepultamento dos pássaros, desperta curiosidade e não é uma questão cultural no Estado do Rio de Janeiro. É fato que ainda existem pessoas que descumpre as leis de crimes ambientais, aprisionando e comercializando animais silvestres. Sabemos que a Lei de Crimes Ambientais considera crime contra a fauna a manutenção de animais silvestres em cativeiro sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, no caso específico de fauna silvestre,
Não iremos aqui, repudiar aos que ainda criam pássaros “engaiolados” ou outro tipo de cativeiro, não nos compete fiscalizar tal atividade ou denunciar, a autoridade competente é o IBAMA.
Apenas fizemos a postagem para mostrar um espaço público existente, que atrai e desperta curiosidade aos visitantes na Ilha de Paquetá.

Para que tem dúvidas sobre a legislação ou perguntas sobre Fauna, acesse:
http://www.ibama.gov.br/fauna/animais.htm

6 de fevereiro de 2011

Cemitério dos Passarinhos (idealizador Pedro Paulo Bruno) Ilha de Paquetá


 
Cemitério de passarinhos - Ilha de Paqueta

Vejam as demais fotos no final do texto:

A “marcha fúnebre” são os próprios pássaros que sobrevoam os arbustos no local, que cuidam da trilha sonora. Os passarinhos gozam desse prestígio, onde são tratados com tal carinho e afeto que mereceram até um cemitério próprio. O cemitério exclusivamente de passarinhos, localizado na Ilha de Paquetá (Baía de Guanabara) no Rio de Janeiro, é o único no mundo, onde são respeitosamente sepultados os pássaros. O Cemitério de passarinhos, ao contrário do que muitas fontes descrevem, afirmando que ninguém sabe exatamente quando ele surgiu, foi idealizado em 1915 por seu fundador Pedro Paulo Bruno, um nascido e ilustre morador da Ilha de Paquetá.
Pedro Bruno nasceu na Ilha de Paquetá em 14 de outubro de 1888, e desde menino, seu brilhante espírito manifestou interesse pelas artes. Gostava de poesia, música e canto lírico, desenho e pintura, escultura, enfim, tudo que era expressão de belo do gênio humano e da natureza. Dotado de uma sensibilidade artística comparável a dos maiores artistas da história universal. Sobre os pássaros dizia:

- Na garganta de um pássaro que canta, há sempre o espírito imortal de um poeta.

- Pássaros de minha Ilha: ouço no teu canto a voz dos poetas do meu Brasil.

O artista Pedro Paulo Bruno
Dentre os seus projetos, iniciativas e belíssimas obras de Pedro Bruno, estão o planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá (de humanos), transformando-o num verdadeiro jardim. Ali plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas esculturas. A Capela do Cemitério também é de sua autoria. Ali deixou dois quadros seus: Jesus Cristo no Calvário e São Francisco de Assis falando aos Pássaros. Anexo, no mesmo espaço, está o cemitério de passarinhos e aves em geral, com 24 minúsculos túmulos, que têm 40x30cm por fora e mede 20x10cm por dentro.
Um belíssimo recanto ajardinado e ornamentado de esculturas, destacando-se a que retrata a tristeza de um pombo, ao lado de sua companheira morta. Um espaço que desperta atenção e curiosidade, o cemitério de passarinhos de Paquetá é assim, com imagens barrocas de anjos que dão lugar a esculturas de pássaros como as peças "O pássaro abatido" e "O pouso do pássaro cansado".
O Cemitério dos Pássaros na Ilha de Paquetá, fica na Rua Joaquim Manoel de Macedo, assim batizada em homenagem ao autor de ‘A Moreninha’, romance pioneiro do Romantismo brasileiro no século XIX,  é um espaço público, não é um local abandonado como afirmam algumas fontes. Ao longo dos anos é mantido e conservado por moradores voluntários, como Dona Maria Félix de Souza e outros, que nunca cobraram nada para sepultar os passarinhos e nem para cuidar dos seus pequeninos túmulos e atualmente, é administrado pela Concessionária Santa Casa da Misericórdia do Rio e Janeiro.
Como os pequenos corpos dos pássaros se desintegram mais rapidamente do que os dos homens, é que provoca a alta rotatividade nos sepultamentos, o que permite “Cobrinha”, o atual funcionário, colecionar histórias do local. “Ouvi dizer que teve uma senhora que trouxe um papagaio que vivia com ela uns 25 anos. Depois vinha para visitar e trazia flores, como se fosse um parente”; “Teve outro que trouxe um passarinho e ficou o dia todo chorando”.
E para maior autenticidade, a vizinhança dos dois “Cemitérios” de Paquetá faz com que se deitem, lado a lado, os homens e os pássaros. Com inúmeros bebedouros de barro, donde os passarinhos vem em busca de água fresca para a sede e para o banho e, assim, trazem a consequência natural dos seus gorjeios, a paz de seus “moradores”, como era da vontade de seu idealizador e fundador Pedro Paulo Bruno, que desapareceu fisicamente no dia 2 de fevereiro de 1949.

O Cemitério desperta curiosidade de crianças e adultos