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11 de março de 2012

ANA PRIMAVESI



Falar de Ana Primavesi é tão simples como ela própria. Este blog não teve oportunidades e nem o privilégio sequer de assistir uma de suas inúmeras palestras, no entanto, ao longo de seis décadas de profissão, a Agrônoma Dra. Ana Primavesi publicou livros e foi co-autora de outros de autoria do marido Artur Primavesi; que apreciamos e que nos permiti aqui homenageá-la. O foco comum de seus trabalhos é o manejo ecológico na utilização dos recursos naturais adequados ao clima e ao solo. Para os que tiveram a oportunidade de assistir suas palestras, afirmam que ela não se detém apenas ensinamentos de práticas agrícolas ou em explanações de casos em diferentes regiões, ela mescla assuntos técnicos a análises sobre os desafios de se praticar uma agricultura socialmente justa e ecologicamente correta e nem muito menos dissocia produtividade da preservação do meio ambiente. Na sua visão simplista, para o cultivo orgânico, por exemplo, não é apenas a substituição dos agrotóxicos. “Não adianta trocar defensivos químicos por caldinhos porque eles também podem ser tóxicos”, afirma.

“Conheci” Ana quando aluno do CTUR (Colégio Técnico da Universidade Federal do Rio de Janeiro) em aulas de agroecologia, aplicado pela Professora Dra. Sandra Barros Sanchez. Na época tínhamos que apresentar em seminário um trabalho sobre manejo agroecológico; tínhamos espaço (apenas o campo agrostológico), mais não recursos literários. Então, buscando esses recursos na biblioteca da Rural, me deparei com o livro Manejo Ecológico do Solo, publicado pela primeira vez em 1980, que para muitos tornou-se a bíblia de muitos profissionais das ciências agrárias que procuram seguir princípios da agricultura ecológica em regiões tropicais.
Além de apresentarmos um belo trabalho estudantil em seminário (baseado nessa obra citada), nos apaixonamos por outros trabalhos publicados por essa austríaca de família de agricultores, do vilarejo de St.Georgen Ob Judenburg (sul da Áustria).
Essa notável senhora com mais de 90 anos, sempre demonstrou a sua forte ligação com a natureza o que fez ir na contramão das técnicas estabelecidas e procurou sempre se guiar pelos sinais que o solo oferece, no que permitiu, inspirado através de seus trabalhos, ser responsável pela formação de gerações de profissionais das ciências agrárias, cujo princípio básico é adequar a produção agrícola ao respeito de cada agroecossistema.

A superfluidade de palavras seria exagero, para ilustrar aqui Ana Primavesi, por sua importância para a ciência, hodierno e porvir.

3 de março de 2012

Anemia infecciona Equina

A AIE é uma enfermidade classificada pela OIE como grave, causadora de enormes prejuízos e alvo de controle internacional, ou seja, é doença de notificação obrigatória, integrante do Programa Nacional de Sanidade Eqüídea (PNSE) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e cujo combate libera as barreiras de exportação, com significativa importância econômica (CDA, 2007).
O vírus é transmissível a todos os equídeos, sem que haja qualquer preferência por raça, sexo ou idade. É encontrado em quase todos os países do mundo, exceto na Antártica, e sua frequência tem aumentado a cada dia. No Brasil o problema ainda continua atingindo proporções preocupantes no Pantanal do Mato Grosso e na Ilha de Marajó, devido, as características geoclimáticas dessas regiões (THOMASSIAN, 2005).
Os insetos vetores responsáveis pela transmissão do vírus da AIE são todas as grandes moscas mordedoras, como Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos), Chrysops sp. (mosca do cervo) e Tabanus sp. (mosca-do–cavalo). A transmissão é mecânica, o vírus não se replica nos insetos (THOMASSIAN, 2005).
Os programas de controle, baseados nesse sistema de teste e abate, estão sob pressão por causa da visão dos proprietários dos animais, de que muitos animais assintomáticos com infectividade muito baixa estão sendo destruídos desnecessariamente (RADOSTITS et al., 2002).
A AIE não é uma zoonose, portanto não representa risco à saúde pública. Os únicos afetados são os equídeos, o que traz por consequência, repercussões negativas de ordem econômica, social e até afetiva para os criadores.

 
Leia tudo dobre a AIE

Disponível em: http://blog.ourofino.com/tag/equideos/

5 de fevereiro de 2012

FRANCISCO FREIRE ALLEMÃO DE CYSNEIROS - O Frei Alemão


FRANCISCO FREIRE ALLEMÃO DE CYSNEIROS

Filho de lavradores da região da Serra do Mendanha, Francisco Freire Allemão de Cysneiros nasceu fevereiro de 1797, numa antiga fazenda situada na freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande (atualmente zona oeste da cidade do Rio de Janeiro). Faleceu em 11 de novembro de 1874, no mesmo local de nascimento. Seus estudos sobre espécies vegetais do Brasil eram enviados à Europa, e muitos lhe conferiram a fama de "primeiro fitografista da América do Sul" (GAMA, 1875, p.71). Em estudos botânicos, fez descrições de plantas raras brasileiras;

Sua produção intelectual é inúmera, que seria impossível descrever todas aqui. Citamos apenas algumas, tais como:

- Cana-de-açúcar. Investigações da sua introdução no Brasil. Conferência pronunciada nasal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 16 de maio de 1856". Rio de Janeiro: Tip. Serv. Inform. Do Ministério da Agricultura, 1929.

- O cafezeiro (caffea arabica, Lin.). maio de1856.

- Anomalias na inflorescência do milho (Zea Mays). Revista Brasileira, III, p.6-7, 1869.

Em sua trajetória profissional, Frei Allemão, segundo historiadores, por não possuir os recursos financeiros necessários para dedicar-se à carreira científica, inicialmente tornou-se sacristão. Outros, dizem, que seu pai alistou-o numa milícia (segunda linha), para evitar que ele fosse recrutado para as sangrentas lutas que ocorriam na província da Cisplatina em 1801. Sua mãe, insatisfeita com tal solução, teria solicitado ao padre Luis Pereira Duarte que o aceitasse como sacristão e assim pudesse retirar-se do serviço de militar, ocorrido mais tarde. Freire Allemão aprendeu a gramática latina. Ingressou no Seminário Episcopal São José, na cidade do Rio de Janeiro, em 1817, onde teve lições de história da Igreja, teologia moral e dogmática, grego, francês, inglês, espanhol, hebraico, latim, tendo inclusive, participado de cursos de física e mecânica. Tendo Luis Pereira Duarte, como seu protetor,
Para conseguir meios de sustento, decidiu pelo abandono da carreira sacerdotal, onde proferiu aulas particulares de latim, para meninos, e de primeiras letras para moças.
Após a dispensa militar, retornou a cidade do Rio de Janeiro. As dificuldades de ordem financeira o impediam de ingressar em uma escola de medicina e em face da situação, seu irmão mais velho Antônio, de mesmo sobrenome, que cursava o segundo ano da Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, ofereceu-lhe ajuda financeira e também os primeiros ensinamentos de osteologia.
Em 1822 ingressou na Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, onde diplomou-se como cirurgião-aprovado, em 1827. Freqüentou a Université de Paris, a convite do Governo francês, quando foi aluno do químico Jean-Baptiste Dumas e do naturalista Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert, o Barão Cuvier. Doutorou-se em medicina na Faculte de Médecine de Paris, em 1831, com defesa da tese intitulada "Dissertation sur le goitre".
Estudou botânica e zoologia médicas (1833-1853) da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo jubilado em 1853. No curso de botânica médica e princípios elementares de zoologia apresentava lições teóricas orais com demonstrações práticas com espécies vegetais e também proporcionava aos alunos excursões botânicas pelo Rio de Janeiro (SANTOS FILHO, 1991).
Atuando também na politica, foi suplente de deputado pela Assembleia Legislativa Provincial do Rio de Janeiro, na 1ª legislatura (1835-1837).
Foi designado como médico da Imperial Câmara em 1840, tal indicação decorreu do fato por ter conseguido curar o Imperador Pedro II de uma enfermidade.
Integrou a comitiva imperial (1843), encarregada de acompanhar a vinda, de Nápoles ao Rio de Janeiro, da noiva do Imperador Pedro II, a então princesa D. Teresa Cristina, irmã de D. Fernando (Rei das Duas Sicílias). Posteriormente foi professor de botânica das princesas Isabel e Leopoldina.
De 1858 a 1866 foi professor de ciências físicas e naturais na Escola Central, onde lecionou a cadeira de botânica, tendo recebido o título de major, como determinava o regulamento daquela instituição. sendo admirado por seus alunos.
Foi presidente e chefe da seção botânica da Comissão Científica de Exploração (1859-1861), proposta pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que era composta de naturalistas e de engenheiros e tinha como objetivo a exploração científica das províncias do norte e nordeste do país. Esta Comissão, que ficou conhecida como "Comissão das Borboletas", foi concretizada pela Lei de Orçamento e Despesas para os anos de 1857 e 1858, e organizou-se por seções: Botânica (Francisco Freire Allemão de Cysneiros), Geológica e Mineralógica (Guilherme Schüch de Capanema), Zoológica (Manoel Ferreira Lagos), Astronômica e Geográfica (Giacomo Raja Gabaglia), Etnográfica e Narrativa da Viagem (Antônio Gonçalves Dias).
A Comissão deixou o Rio de Janeiro em janeiro de 1859 e percorreu o Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, tendo sido chefiada por Manoel Ferreira Lagos. Nesta viagem Frei Allemão teve a seu lado, Manoel Freire Allemão, seu sobrinho. No Ceará foram colhidas 20.000 amostras de plantas, e muitas destas amostras, assim como instrumentos e outros materiais, foram incorporados ao acervo do então Museu Imperial e Nacional, no Rio de Janeiro.

Frei Allemão participou de diversas associações profissionais e sociedades médicas, tendo feito parte do primeiro quadro da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, posteriormente denominada Academia Imperial de Medicina, da qual foi presidente em duas ocasiões (3º trimestre de 1832; 1838-1839). Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e da Sociedade Philomatica, membro honorário do Imperial Instituto Médico Fluminense, fundador e presidente da Sociedade Vilniana do Rio de Janeiro (1850-1856), e presidente da Sociedade Valenciana. Presidiu, em 1874, a comissão de botânica e zoologia do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro.
Foi fundador e presidente da Sociedade Velosiana de Ciências Naturais, cuja sessão preparatória realizou-se, em 27 de julho de 1850, no Museu Imperial e Nacional, e teve sua sessão de abertura no dia 18 de outubro do mesmo ano. Esta associação foi idealizada por ele, com a idéia de reunir naturalistas na capital do Império, para estudar todos os objetos pertencentes à história natural do Brasil. Segundo Maria Margaret Lopes (1997), seu rigor científico e sua compreensão sobre o quadro das ciências naturais no Brasil, o teria levado a restringir, inicialmente, o número de sócios, incorporando somente aqueles que tenham produzido trabalhos originais nos campos da zoologia, botânica e mineralogia. A Sociedade Velosiana de Ciências Naturais era organizada por comissões permanentes, de mineralogia, de zoologia, de língua indígena, e de botânica, da qual ele próprio participava.
Em 1866, presidiu a comissão, da qual participavam Ladislau de Souza Mello Netto e Custódio Alves Serrão, destinada ao estudo e classificação de vegetais para o pavilhão brasileiro na Exposição Universal, a realizar-se em Paris no ano seguinte.

Em 10 de fevereiro de 1866 foi nomeado diretor do Museu Imperial e Nacional, cargo que ocupou até o ano de 1870, embora problemas de saúde o tenham afastado desta função em alguns momentos.
A fitografia, a histologia e a fisiologia vegetal foram, por mais de meio século, objetos de seus estudos e descobertas, especialmente as plantas dicotiledôneas. Era um ótimo desenhista, e realizou inúmeras herborizações, durante as quais observava cuidadosamente todos os detalhes, calculava a altura do tronco, media sua circunferência, e indagava a respeito do nome vulgar e das propriedades. As amostras colhidas eram analisadas, e caso fossem de espécies desconhecidas nos anais da fitografia, procedia com todos os procedimentos necessários para a apresentação de um tipo novo.

Francisco Freire Allemão de Cysneiros descreveu muitas plantas, sendo que muitas destas conservam o nome dado por ele e criou numerosos gêneros.
Frei Allemão, cunhou o nome científico a 45 tipos da flora brasileira. Segundo Maria Margaret Lopes (1997) muitos destes tipos novos foram admitidos na "Flora Brasiliense", de Karl Friedrich Philipp von Martius, alguns foram incorporados como sinonímias e vários se mantiveram até os dias atuais.

4 de fevereiro de 2012

Informativo a todos os Técnicos Agrícolas do Brasil


A Lei 12.514 de 2011, legaliza cobrança das anuidades dos Conselhos.

A partir de Janeiro de 2012, todos os Conselhos de Fiscalização profissional, estão autorizados por Lei a cobrar suas anuidades, dentro dos limites fixados pela Legislação aprovada pelo congresso Nacional e sancionada pela Presidente Dilma Roussef.
O CONFEA no final do ano passado aprovou em Plenário a majoração dos valores das anuidades para 2012, através da Resolução nº 528 que estabeleceu os valores de R$ 350,00 para os profissionais universitários e de R$ 175,00 para os profissionais de nível médio. Representou um aumento de aproximadamente 36%, sendo que para os Técnicos Agrícolas que pagavam valores menores definidos pela Justiça, esse aumento foi ainda maior.
Portanto, para esse ano de 2012, os efeitos das sentenças judiciais em favor dos técnicos deixam de ter eficácia. Todos pagarão iguais valores fixados pelo CONFEA-CREA e dentro da limitação imposta pela Lei nº 12.514/2011.
No início deste ano a Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), protocolou no Supremo Tribunal Federal, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4697) contra parte da LEI nº 12.514/2011 que trata das contribuições devidas aos conselhos profissionais. Sob o argumento de que a norma viola o artigo 149, caput, da Constituição da República, que trata da competência exclusiva da União para instituir contribuições dessa natureza, e o artigo 146, inciso III, que remete à lei complementar a fixação de normas federais em matéria tributária. Portanto, a CNPL pede que o STF declare inconstitucionais os artigos derivados de emenda parlamentar.
Aguardem até o último prazo para quitar sua anuidade junto ao CREA, pois talvez a CNPL tenha sucesso na ação judicial e beneficie a todos os profissionais que tem registro nos Conselhos Profissionais.
A Lei 12.514/2011 estabelece valores absurdos aos profissionais, entretanto enquanto o STF, não julga a ADI, temos de pagar, sob pena de estarmos no exercício ilegal da profissão. Assim não podemos trabalha. Estamos de mãos amarradas.

Fonte: http://www.atabrasil.org.br/index.html




8 de janeiro de 2012

Beat Ernst Leuenberger, o maior estudioso sobre as cactáceas


 Drº Beat Ernst Leuenberger em suas jornadas
Drº Leuenberger nasceu na Suíça em 27 de agosto de 1946, iniciou educação escolar em sua cidade natal, Burgdorf. Em 1963 e 1964 como estudante de intercâmbio, estudou em Portales (Novo México, EUA). De volta à Europa, estudou na Universidade de Berna (Suíça) e Heidelberg (Alemanha), obtendo doutorado em Ciências Naturais, em 1975. Seu extenso conhecimento de biologia, química e também fluente em várias línguas, permitiu-lhe aprofundar em tudo que se possa investigar nessas áreas. .
Sua tese de doutorado é um volume que detalha as características morfológicas do pólen de cactos. Ele desenvolveu métodos para o corte de grãos, talvez agora mais frequentes, mas inovador na época, bem como fotos tiradas pelos microscópios eletrônicos de varredura então recente. Ele já tinha usado essa ferramenta valiosa e os primeiros estudos publicados sobre o assunto.
Drº Bata, como era conhecido, teve outras funções, 1975-1976 foi Assistente no Instituto Sistemático-geobotanical da Universidade de Berna. Desde 1976, no Jardim Botânico e Museu Botânico de Berlim Dahlem, Curador sênior, Chefe do Departamento de coleções vivas subtropicais e tropicais em estufas. Apreciou Documentações de espécimes, baseada na identificação e verificação em herbários, incluindo a elaboração de dados de nomenclaturas para o banco de coleções vivas.
Suas publicações sobre plantas são várias, principalmente da Argentina, país muito amado por ele, onde gostava imensamente. Nestas viagens, em sua maior parte, acompanhado de Silvia Arroyo, sua esposa, Argentina e botânica.
Dr. Bata empreendeu numerosas expedições botânicas, que o levou muitas vezes a áreas que são ricas em plantas suculentas. Sua primeira grande jornada começou pelo Togo, depois México, Namíbia, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Guiana, países que ele colheu farto material vegetal, levando para Berlim.
Sua paixão desde a infância por cactos foi por influência de Werner Rauh, que talvez, inspirando-o duas de suas mais importantes monografias: gênero Pereskia (1986) e de gênero Maihuenia (1997), ambas são, sem dúvida, os estudos mais abrangente até o momento para gêneros dessa família. Do gênero Pereskia, algumas espécies são conhecidas no Brasil como Ora-pro-nobis.
Ele estava sempre interessado em publicações de vários gêneros argentino, alguns trabalhos muito completos sobre monotípicos de Denmoza e Blossfeldia e também, inclusive, vários em Opuntia Armata.
A lista de suas publicações podem ser vista na web, no site do "Botanischer Garten und Museum Berlin-Dahlem Botanischer". São cerca de 130 trabalhos, entre eles, os espécimes de Cactaceas em herbários europeus e americanos, incluindo da Argentina.
Dr. Bata Ernst Leuenberger, aposentou-se e morreu de câncer no pâncreas, em maio de 2010.

Próximo mês falaremos sobre Francisco Freire Allemão de Cysneiros, o Frei Alemão.

3 de janeiro de 2012

Novas regras para produção de Leite


O Ministério da Agricultura aumentou o rigor para a produção de leite na maior parte do país, com o objetivo de aumentar a qualidade do produto. As regras passou a valer a partir do primeiro dia de 2012.
A medida inclui ordens para que o local onde o gado é mantido tenha piso impermeável a fim de facilitar a limpeza e o escoamento da água, além do controle de temperatura para a pasteurização do leite na média de 4 graus Celsius (ºC). Para a ordenha (retirada do leite), será necessário definir uma dependência própria.
O objetivo, segundo o governo, é aprimorar o controle sanitário do rebanho - no que se refere a doenças, como brucelose e tuberculose, além de obrigar que seja feita análise para pesquisa de antibióticos no leite.
Pelas regras, os produtores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste terão novos limites para CBT e CCS. Atualmente, esses índices podem chegar a 750 mil por mililitro. Mas a partir de agora a tolerância será de até 600 mil por mililitro. As regras no Norte e Nordeste só serão exigidas a partir de 2013.
As normas foram consolidadas pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e foram baseadas em estudos feitos pela Embrapa Gado de Leite e no histórico dos programas de qualidade das empresas de laticínios.
De acordo com o Ministério da Agricultura, em nove anos de vigência das regras sobre qualidade de leite no país, houve uma série de avanços no setor, como investimentos em eletrificação rural, melhoria das estradas para facilitar o escoamento da produção e treinamento dos produtores em práticas de manejo e controle sanitário.
Ainda de acordo com a normativa, estão suprimidos os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos leites tipos “B” e “C”.
Fontes alegam que a medida poderá provocar a retirada do mercado do leite do tipo B.

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 62 - Link abaixo:
http://www.hidrolabor.com.br/IN62.pdf

9 de dezembro de 2011

Beat Ernst Leuenberg


É comum nos dias de hoje, estudantes (fundamental e médio), utilizarem a internet como única fonte de pesquisa para elaborarem trabalhos estudantis (usamos muito deste recurso!). Não restam dúvidas, tratar-se de uma ferramenta útil e que muito facilita na hora das pesquisas, no entanto, há uma preocupação quanto aos artigos publicados, que muito das vezes não são de fontes seguras ou estão incompletos e repetitivos, inclusive, não citando os seus reais autores. Logicamente, em alguns casos, não são intencionais e que na verdade, não há desrespeito autoral, mesmo que contrárias à lei e a falta de ética. As matérias publicadas (artigos científicos) são colaborativas e muito auxiliam aos estudantes de uma forma geral, estes textos em arquivos p.d.f ou em “doc.”, bem como, escritos simples, torna-se de domínio público e passam ser importantes para a educação do país, até porque, seus autores, publicam seus artigos em sítios específicos ou em seus próprios espaços (sites e blogs).
Já confidenciamos aqui, que nosso aprimoramento estudantil partiu justamente consultando e estudando estes textos. No inicio tínhamos dificuldades, pois não tínhamos discernimento á intender ricos trabalhos e citações científicas. As cansativas leituras muito contribuíram, mas que a orientação de meus professores para a atenção aos trabalhos e oferecer respeito aos autores e fontes; foram muito mais importantes, pois foi assim, que passamos a não pecar e ficar restrito apenas a midia digital e passamos a “conferir” as íntegras literárias (em livros), bem como, a vida e obras de seus autores.
Esta razão nos surgiu, em uma frase dita em plena sala de aulas, em seminário, por um professor (carrancudo, no entanto, metódico), quando atento e conferindo aos nossos trabalhos apresentados: os contextos eram incompletos, confusos e inadequados para os temas propostos. As nossas fontes de pesquisas eram puramente da internet, por vezes, única, para todos os grupos formados. Ele repudiava com um conselho dado: “se tiverem dificuldades, consultem também a www.bibliotecavelha.com.br”. Essa frase nos incomodou, muito! As dificuldades perduraram por algum tempo, pois nem todos os assuntos estavam contidos em livros ou não estavam disponíveis. Motivo para a idealização deste site (blog).
Então, além de consultar em livros os assuntos propostos, passamos mostrar interesse também, por conhecer com detalhes os autores. Esse interesse, talvez, foi a maior complementação em nossos conhecimentos e que muito reforçou no sucesso do Blog “Agropecuária e Agroecologia”. E conforme prometido, a cada mês faremos uma postagem lembrando e homenageando uma figura importante do mundo cientifico.
Elaboramos uma lista cronológica e tínhamos em mente obedecer de acordo com o planejado, no entanto, resolvemos iniciar com o Botânico Beat Ernst Leuenberg (Bata Leuenberg), que é a maior e mais importante fonte de pesquisa utilizada para o livro “ORA-PRO-NOBIS: a carne de pobres” de nossa autoria. O Drº Leuenberg foi um notável estudioso das cactáceas, com trabalhos monográficos, revisões, tipificação e história taxonômica, principalmente do gênero Pereskia. Nascido em 27 de agosto de 1946 em Burgdorf, na Suíça e já aposentado, lamentavelmente, faleceu em Berlim em maio de 2010, depois de um período de enfermidade. De renome mundial, nos últimos anos foi curador do Jardim Botânico e Museu Botânico de Berlim-Dahlem. Ele era um especialista, sobre tudo, para as plantas Cactáceas. Ele foi casado com a também à botânica Silvia Arroyo do qual dividiu alguns trabalhos científicos.

Nossa próxima postagem será sobre Beat Ernst Leuenberg, figura importante do mundo cientifico. Aguardem!

25 de novembro de 2011

Agropecuária e Agroecologia: Aos leitores do blog

Pedimos desculpas aos nossos seguidores e leitores desse blog, pois desde a segunda quinzena de outubro não publicamos. Não se esgotaram os assuntos! Muito pelo contrário, devido aos inúmeros e-mails solicitando continuação e para outros assuntos, mas, que carecem de pesquisas e autorização de algumas fontes, resolvemos nos organizar e fazer um cronograma dos assuntos e depois dar seguimento nas postagens, mesmo porque, o nosso público se diversificou, antes eram apenas estudantes de ensino médio e técnico das áreas de agropecuária, agroecologia, meio ambiente e atualmente detectamos através dos comentários e e-mails enviados: professores, alunos de outras áreas (inclusive de curso superior: agronomia, zootecnia e veterinária) e outros que não citaram a formação.
Alguns assuntos foram motivos de polemicas e contestações, como no caso de “Novas Andanças: Tração Animal”, onde falamos dos municípios de Queimados e Nova Iguaçu e no entanto, deixamos por derradeiro, falar sobre os equídeos da Ilha de Paquetá, pois a Cidade do Rio de Janeiro tem lei especifica (Lei nº 3.350 de 28/12/2001) para disciplinar a circulação no âmbito do município os veículos de tração animal. A Ilha de Paquetá tem essa atividade para fins turísticos e as irregularidades de manejo são puramente por falta de fiscalização. Nossa “curiosidade” foi apenas com a alimentação dos animais, diante da pequena extensão da ilha e queríamos saber da existência, de alguma forma, área de descanso e pastejo, mesmo porque, a ilha tem o seu patrulhamento por policiais montados a cavalos e diante da repecursão dos assuntos dos outros municípios citados resolvemos retornar a ilha para mais pesquisa e incluir também os animais que trabalham no patrulhamento e isso precisa de autorização oficial.
Quanto aos outros assuntos pendentes, tais como: ervas medicinais, acidentes com máquinas agrícolas, também está na fase de publicar e são assuntos que colocaremos em outra página do blog, tendo em vista, a complexidade e o grande conteúdo, no qual incluiremos relatos de entrevistados que abordarão os assuntos.
Nesse cronograma dos assuntos, estará uma novidade. Uma vez por mês publicaremos uma postagem com homenagem de importantes e ilustres personalidades, que se destacaram e se destacam em agroecologia; biologia; manejo e nutrição animal, exemplos:  Francisco Freire Allemão de Cysneiros, Ana Primavesi, André Voisin e Nelson Papavero, em fotos abaixo:



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



19 de outubro de 2011

ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres (O livro)

Angú com carne moída (Foto de João Felix/Rio)


Tenho recebido alguns e-mails contestando o provável ineditismo do livro “ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres”. Esse fato não tem nos preocupado e nem foi a nossa intenção, no entanto, cabe aqui esclarecer, que a verossimilhança é possível, em relação a outras obras escrita e que tenha caráter popular e linguagem simples, mais que na verdade, não tivemos a oportunidade de encontrar e apreciar estas. Cabe aos que contestam citarem e divulgarem nomes das obras e seus autores, no que valorizaria as obras existentes e que não estão nas bibliotecas ou mídias. Outro fato, que também cabe esclarecer, que “ORA-PRO-NOBIS – A carne de pobres”, não é um livro de receitas, por isso, está no item (link) “Agropecuária” e não em “Culinária”, no portal do CLUBE DE AUTORES.

A inspiração para escrever o livro, prendeu-se ao fato, da carência de escritos populares que abordem assuntos exclusivamente da planta Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata), se não, escondido em artigos com linguagem científica, que a maioria da população não tem acesso, até porque, muitos estão contidos na mídia digital (arquivo em pdf. ou opiniões de blogs e sites com conteúdos culinários), inclusive, não intendem o contexto dos escritos com termos técnicos e que alguns estão em outras línguas: inglês e espanhol, além de não terem acesso à tecnologia digital (internet).

A justificativa é notória, pois tivemos dificuldades para encontrar em um único espaço (livro), assuntos que falem exclusivamente dessa planta, que é usada na alimentação no interior mineiro, que vem despertando interesse gastronômico e progressivamente pela comunidade cientifica, e no momento, a existência do vegetal está contida tão somente e atrelada em “causos’ e lendas não comprovadas, mais que valoriza e engrandece a cultura de um povo, sobre tudo, na cidade de Sabará, região metropolitana de Minas Gerais.

O real interesse para pesquisar a planta ora-pro-nobis, no inicio, foi buscar escritos que contivessem dados sobre o uso desse vegetal para a alimentação animal, esse era nosso interesse na pesquisa e não encontramos. Mais diante de tantos fatos e autores, foi despertando interesse em outras leituras, onde surgiam figuras e locais históricos, que não podíamos deixar de citar.

Exemplos que nos inspirou, estão frases, populares e cientificas que citam a Ora-pro-nobis, como:

Os grandes inventos da pobreza disfaçada...”, num fragmento na obra Estórias da Casa Velha da Ponte, de CORA CORALINA;

“hortaliças não convencionais, são cultivadas de forma marginal e rudimentar” (KINUPP, 2006);

a cultura de hortaliças, passou a ter grande importância na formação da base alimentar e cultural brasileira e o cultivo de algumas, ainda hoje, estão apenas associado a populações tradicionais, que para EYZAGUIRRE et al. (1999) e IPGRI (2006), definem como “culturas negligenciadas” (aquelas cultivadas primariamente em seus centros de origem) ou “culturas subutilizadas” (aquelas que já foram largamente utilizadas e que caíram em desuso devido a fatores agronômicos, genéticos, sociais, culturais ou por desinteresse econômico)".

Logicamente, não poderiamos deixar de dar atenção as literaturas sobre os hábitos alimentares, desde o Brasil colônia, mais que não cabia nos alongar, diante de tantos e belos escritos sobre o tema, como por exemplo: “a de que no século XVII, a descoberta de metais preciosos na colônia não melhorou as condições de alimentação do brasileiro. As levas de homens em direção às Minas Gerais apenas deslocaram os problemas da costa para o interior. Com o aumento vertiginoso da população, aquela região enfrentou um grave desabastecimento, que resultou numa alimentação pobre e deficiente”.

Em tempo ainda, justifico, o provável INEDITISMO de ORA-PRO-NOBIS – A carne dos pobres ( O livro), viria valorizar muito mais o trabalho dos professores da Instituição de Ensino, do qual sou oriundo (ex-aluno), que é o CTUR/UFRRJ, pois foi por influência deles, com interdisciplinaridade e transdisciplinaridade (contida na grade curricular), que passamos a entender o que são temas transversais, fazendo-me ser capaz (mesmo sem formação pedagógica) de buscar e abordar a pluralidade cultural em um simples vegetal, que no momento, permanece “detido” em valor cultural de uma única região.

E para fechar aqui a nossa justificativa, mostramos preocupação com a “educação” de dois de meus netos, que são mineiros natos e estudantes de ensino fundamental na Cidade de Sabará, que sequer ouviram dos professores, em aulas de História, mesmo em pequenas abordagem, assuntos que valorizem as suas raízes culturais, estampado em um simples prato de “angú com ora-pro-nobis”.

Coelho com ora-pro-nobis (Foto de Claudio Olivier/PR)



João Felix Vieira

Autor desse Blog e do Livro ORA-PRO-NOBIS: A carne de pobres

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/144184--ORAPRONOBIS#.WcJoBPOGPZ4

8 de outubro de 2011


"Se hoje fosse o último dia de minha vida, queria fazer o que vou fazer hoje? E se a resposta fosse não muitos dias seguidos, sabia que precisava mudar algo."
(Steve Jobs)


O adeus de um sábio.

4 de outubro de 2011

Lançado pelo Clube dos autores, o livro Ora-pro-nobis, a carne dos pobres.


A necessidade de se descobrir alimentos alternativos para o combate à fome na população de baixa renda, é assunto que tem recebido atenção no mundo nos últimos anos, sobretudo, no Brasil.
Algumas plantas comestíveis já apresentam fácil disponibilidade, com baixo valor de mercado, outras ainda, não tão popularizadas, vem se destacando em vários estudos cientifico.
As hortaliças não convencionais podem constitui alternativas para populações carentes, por serem boas fontes de nutrientes e curas de enfermidades, é o caso da Ora-pro-nobis. Cactácea que vem merecendo atenção especial por seu alto valor nutritivo e vem sendo utilizada em pratos típicos da culinária e na medicina popular em algumas regiões do Brasil, principalmente no interior mineiro.
A falta de informação por parte da população no resto do país, o desconhecimento quanto ao valor nutricional e modo de preparo, faz com que o consumo seja reduzido, tendo em vista que a Ora-pro-nobis, é uma cactácea com característica diferente em relação às demais hortaliças, com sua forma arbustiva espinhosa, no que leva desconfiança e medo ao consumo.
Conhecida como “carne de pobre” pela alta concentração de nutrientes, é carinhosamente chamada de lobrobo, essa planta tem seu próprio festival gastronômico na cidade de Sabará em Minas Gerais.

Com Prefácio da Professora Doutora Sandra Barros Sanchez do Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o livro “ORA-PRO-NOBIS - A Carne dos pobres” pode vir a contribuir com uma linguagem simples, aos apreciadores de plantas e comidas típicas; estudantes de agropecuária e de agroecologia, tendo em vista, que muita coisa escrita acerca da flora brasileira, condensada em livros ou esparsa em periódicos, na sua grande maioria, é de difícil aquisição ou consulta.

As informações popularizadas (somente na mídia digital) talvez contribuam de alguma forma, no entanto, é preciso que as literaturas se expandam e cheguem às mãos de estudantes na forma de livros, pois nem sempre informações de artigos técnicos e/ou de linguagem simples chegam a lugares em que a tecnologia ainda não chegou.
Essa é a proposta de “ORA-PRO-NOBIS - A carne de pobres”, divulgar e opinar sobre a importância econômica desta bela e nutritiva planta espinhosa.

Para adquirir o livro, acesse o link abaixo:

http://clubedeautores.com.br/book/99601--ORAPRONOBIS

15 de agosto de 2011

Novas andanças: Tração animal – Ilha de Paquetá (Parte I)


Chegada de capim em Paquetá vindo do município de São Gonçalo

Quando decidimos escrever a série Nova andanças: Tração animal, a priori, era falar especificamente sobre a alimentação dos animais. Mais, diante do que vimos, às questões socioeconômicas e culturais dos trabalhadores com veículos de tração animal, acabou por provocar outros comentários, no qual tivemos que dividir e intensificar, inclusive, por áreas regionais, no que facilitou a entender perfis distintos de atuação dessa atividade. Na verdade, não era nossa intenção, entrar em questões que pudessem polemizar, pois, muitos dessas questões seriam de ordens cientifica e públicas e, que em nossas palavras, poderiam deixar entender em algumas questões o sentido de denúncia, diante do estado físico dos animais. Muitos foram às irregularidades que assistimos, principalmente, a falta de bem estar dos animais. Deixamos de entrar aqui, em alguns méritos, pois teríamos que ser especialistas para fazer certos comentários. Tentamos simplificar esses comentários, tão somente no limite de nossa formação técnica, no qual tivemos em alguns momentos, estudar e fazer citações de autores, para melhor explicar as nossas “visões” e opiniões.
Quando falamos sobre ações sociais necessárias, para atender os atores da atividade de carroceiros e charreteiros, também mostrávamos preocupação com os animais, pois essas ações devem ser simultâneas e para ser justo na verdade, urgentes para os animais, diante do martírio diário e a sobrevida desses bravos equídeos “trabalhadores”.
Em nossas andanças, não assistimos preocupação com a boa alimentação dos animais. O incorreto manejo alimentar, sem dúvidas, foi o mais preocupante, pois essa incorreção provoca a redução e o desenvolvimento e a manutenção do sistema musculoesquelético saudável dos animais, em qualquer fase de vida ou atividade e predispõe o surgimento de patologias, isto é fato e cientifico.
Segundo Meyer (1995), os equinos em atividades de tração, como esses que exercem grande trabalho muscular, necessitam de alterações na formulação de dieta. Lewis (2000), afirma que é importante observar a dieta desses animais para que alcancem as exigências energéticas necessárias.

Assistimos equídeos se estafando em longas jornadas de trabalho, sem preocupação sequer com pausas para alimenta-se e o merecido descanso. Hontang (1983), diz que alguns cavalos de tração comem depressa e assimilam mal o alimento. A falta de apetite, a queda do estado físico geral, a estafa e fadiga dos membros são indícios de trabalho exagerado e alimentação inadequada.

Deixamos por derradeiro, falar sobre os equídeos da Ilha de Paquetá, pois a Cidade do Rio de Janeiro tem lei especifica (Lei nº 3.350 de 28/12/2001) para disciplinar a circulação no âmbito do município os veículos de tração animal. A Ilha de Paquetá tem essa atividade para fins turísticos e as irregularidades de manejo são puramente por falta de fiscalização. Nossa “curiosidade” foi apenas com a alimentação dos animais, diante da pequena extensão da ilha, e queríamos saber da existência, de alguma forma, área de descanso e pastejo dos animais.





6 de agosto de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Final)



Devemos antes de iniciar este post, desculpar-nos pelo longo período sem concluir a matéria sobre os carroceiros de Nova Iguaçu.

Depois de nossas andanças, além de difícil, foi preciso fazer uma análise do que assistimos e do que apuramos, tentando reduzir e selecionar coisas que poderíamos dizer aqui. Digo “coisas”, não no sentido de denegrir ou qualificar a atividade de carroceiro daquele município, como troço ou objeto qualquer. Se fossemos adjetivar sem usar a consciência social e mostrar preocupação somente com os animais, o que vimos e para encerrar essa série, seria simples e com poucas palavras: deprimente, monstruoso e injustificável. Logicamente estes adjetivos seriam direcionados aos comportamentos dos maus utilizadores dos animais, pois eles, de alguma forma são racionais.
Como falamos anteriormente aqui, procurar intender o crescimento e a desordem na utilização de animais como força de tração no Município de Nova Iguaçu, é nos deparar com fatores preocupantes, dentre eles, a atividade como única fonte de sobrevivência. É visível a desordem e não podemos considerar como cultural e o município por não ordenar, perde essa importância econômica. É vergonhosa a desvalorização da identidade social, no que concerne a atividade de carroceiros de Nova Iguaçu.
Impossível numerar a quantidade do conjunto (animais e homens) nessa atividade dentro do município. Não há preocupação social, por parte do poder público; não há preocupação com o bem estar dos animais, nem tão pouco, limite geográfico, pois os animais fazem longas jornadas com pesadas cargas, ultrapassando por vezes, limites intermunicipais.
Abordar os carroceiros foi tarefa difícil, muitos foram arredios e não quiseram falar sobre o assunto. Alguns até agressivos e sabíamos as causas do comportamento. Desses, a maioria eram trabalhadores de lojas de materiais de construção. Dos que concordaram em falar, mostraram apenas preocupação com os seus “empregos”. Quanto a suas “ferramentas” de trabalho (os equídeos), alegaram ser problema dos patrões (donos dos animais).
Outros, além do despreparo educacional (90% entre eles), mostraram inconsciência e menosprezo com a covardia da sobrecarga de trabalho, promovendo sofrimento aos animais. Um “prato feito” para o radical ativismo contrário a utilização de animais de cargas, pois estes ativistas, não levam em conta sequer a falta de educação.
Qualquer trabalhador cuida de suas ferramentas a melhor produzir e mostrar o seu profissionalismo, preservando seu emprego. E quando essa “ferramenta” tem vida, devemos ter preocupação e preservar o seu bem estar. Portanto, não aceitamos argumentos de que “é proprema do patrão”.

Mesmo sabendo das deficiências nas ações sociais, não podemos ignoramos a nossa formação técnica e devemos descortinar a desoladora e cruel rotina dos animais. Não são aceitáveis os argumentos dos proprietários ou dos condutores, de que os equídeos são trabalhadores como outro qualquer.

Não precisa ser especialista a entender que os animais de tração de Nova Iguaçu, sobretudo os utilizados e de propriedade de lojistas de materiais de construção, precisam urgentemente de ações de proteção. Generalizamos as más condutas, mais para minimizar, seria preciso que encontrássemos um grupo que mostrasse essa preocupação ou que tivesse tradição na atividade e que pudesse ser considerado como cultural, mais não encontramos.

Também não encontramos animais vívidos. Sempre esquálidos e com rotina invariavelmente permeada pelo padecimento, carregando materiais diversos (areia, pedra, cimento, tijolos, entulhos, etc.). Após o longo dia de trabalho, não é oferecido instalações justas e confortáveis para o descanso. Quanto à alimentação, sequer podemos dizer ser adequadamente nutritiva, para repor a energia gasta e esperar uma dura rotina de trabalho no dia seguinte.
A desculpa para o crescimento e utilização de carroças com tração animal para as entregas de materiais de construção, são os custos de manutenção de veículos automotores e os difíceis acessos às novas comunidades e loteamentos nos bairros. Não aceitamos tais desculpas, pois a maioria das lojas está localizada em áreas urbanas com ruas pavimentadas.
Não foi possível traçar perfil da atividade de Carroceiros de Nova Iguaçu, em nenhum aspecto. O que podemos dizer para concluir, é que são necessárias urgentemente, ações preventivas mediante a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta por parte do poder público do município. Antes, porém, devem ser vistos e revistos normas da existência de proteção de animais em serviços de tração em Nova Iguaçu, porque não se pode acabar com a labuta desses animais, sem resolver o problema da exclusão social que aflige pessoas que recorrem aos veículos de tração animal, como meio de transporte ou trabalho.

Ações preventivas viriam contribuir, para minimizar ou promover, opções viáveis para mudar aquele triste estado de coisas, inclusive, nessas ações, possibilitaria capacitação profissional dos carroceiros, incluindo-os em programas assistenciais e garantir escolaridade para seus filhos, futurando desenvolvimento da consciência ambiental.

Nota: Resolvemos não colocar aqui fotos dos animais que trabalham em lojas de materiais de construção.

30 de junho de 2011

FÓRUM DE DEBATES - CTUR

Com a Agricultura Familiar ganhando novas oportunidades e com a vigência da Lei nª 11.947/2009, no qual obriga os e Estados e Municípios a gastarem pelo menos 30% dos recursos que recebem do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) na aquisição de alimentos produzidos por agricultores familiares e que devem ser destinados a “merenda escolar”, várias ações e discussões vem sendo realizados para melhor adequar a aplicação deste recurso, contribuindo no desenvolvimento local, na segurança alimentar e nutricional nos municípios.
Com essa preocupação, para reforçar e corrigir as ações já existentes para melhor êxito desta politica publica é que foi realizado no dia 29 de junho de 2011, no Pavilhão Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Salão Azul, “O FÓRUM DE DEBATES - ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: UMA OPORTUNIDADE PARA A AGRICULTURA FAMILIAR”, com a Coordenação do CTUR (Colégio Técnico da UFRRJ), MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e EMBRAPA (Unidade Organizadora – Embrapa Agroindústria de Alimentos) e contando com parcerias importantes, como: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE; COLÉGIO ESTADUAL AGRÍCOLA DE CAMBUCI; EMATER-RIO; SENAR; SISTEMA FIRJAN; SECRETARIA DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, PESCA E ABASTECIMENTO DO RJ e SUPERINTENDÊCIA FEDERAL DA AGRICULTURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Com presença e voz de representantes destes órgãos, Entidades representativas da Agricultura Familiar e Orgânica, Professores, Nutricionistas; Técnicos e Estudantes das áreas da Agropecuária e Agroecologia, o evento contou com 120 participantes, teve a abertura do Professor e Diretor do CTUR Ricardo Crivano Albieri; Renata Torrezan da Embrapa Alimentos e Jaime Muniz, Delegado Federal do MDA no Rio de Janeiro, e se desenvolveu durante todo o dia, com uma série de discursões e depoimentos, onde foram debatidos assuntos relacionados e “preocupativos” nas questões da Aplicação dos Recursos; Qualidade e Distribuição dos Alimentos; Ações e Programas Sociais; Inspeção, Vigilância e Fiscalização Sanitária; Comercialização e Classificação dos Alimentos produzidos; Boas Práticas Agropecuárias para a Agricultura Familiar, Ampliação da Divulgação das Chamadas Públicas; Deficiências nas ATER; bem como, as dificuldades de produtores adquirirem as DAPs (Declaração de Aptidão de Produtor).
Em Mesa Redonda e nas Plenárias, discutiu-se a Quantidade e Qualidade requeridas pela Educação para a “merenda” (alimentação) Escolar, a Organização dos Produtores para a venda de produtos e ainda, da comercialização de produtos de manejo convencional e orgânico.

Além do interesse de divulgação de assuntos de interesse estudantil, nossa participação no Fórum, enquanto Técnico em Agropecuária, teve o objetivo em opinar e mostrar preocupação da possível exclusão de produtores familiares no fornecimento de alimentos produzidos e destinado à alimentação escolar, tendo em vista, o grande aumento de terceirizações em setores estratégicos da administração pública, sobretudo, no fornecimento, transporte e manipulação de alimentos nas unidades escolares. Nessas terceirizações já ocorrentes em unidades hospitalares, (exemplo na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro), prestigiam “empresas” que recebem pelos serviços prestados, de péssima qualidade (tanto para pacientes, como para funcionários), com empregados incapacitados para o setor e que compram produtos alimentícios “melhor faturado” de outras empresas que estão ligadas a grandes produtores ou atravessadores que não tem compromissos ou que possa prestigiar, na compra direta, o pequeno e agricultores familiares. Nessas terceirizações fatalmente chegará às unidades escolares, comprometendo assim, a finalidade da Lei nº 11.947, no que pode, de forma definitiva, a exclusão de agricultores familiares e comunidades tradicionais, no desvio dos 30% dos recursos destinados a estes, conforme determinada os artigos nº 18 da lei e do artigo nº 14 da resolução nº 38.
Nosso blog se fez presente e destacou a apresentação da Drª e Prof.ª Sandra Sanchez, que fez breve histórico da existência do CTUR, do qual é a atual Vice-Diretora, mostrando a importância dos cursos técnicos oferecidos e administrados pela instituição, preocupação e desejo de se expandir capacitações e inclusões de profissionais nas comunidades produtoras dos municípios vizinhos da Universidade Rural do Rio de Janeiro.

O nosso maior destaque na participação do evento, divulgação e assuntos de interesse estudantil, foi registrar a participação de Alunos Estagiários (foto a baixo) dos Cursos Técnicos de Hospedagem, Agroindústria e Hotelaria do CTUR: Camila, Lorrana e Raphaela (Turma 71/81) e Priscila, Gabriella, Jhonatan, Thaís e Jaime (Turma 92), dando apoio na recepção e reforçando, na prática, o aprendizado profissional.




9 de junho de 2011

Novas andanças: Tração animal – Carroceiros de Nova Iguaçu (Parte III)


Em todas as cidades do Brasil é possível perceber que carroças (por tração animal), infelizmente, fazem parte da paisagem, promovendo por vezes, acidentes com automóveis. É possível ver também, animais soltos pelas estradas, pastando ou doentes e acabam sendo atropelados. Iniciativas podem melhorar as condições de trabalho e de vida dos carroceiros e de seus animais, evitando assim acidentes e valorizar esse digno trabalho.
E é o que muitas prefeituras tentam fazer, promovendo ações e com resultados até satisfatórios, através de projetos multidisciplinares, no que valoriza e melhora a vida dos carroceiros, inclusive, alcançando valor social no local. É preciso politicas públicas adequadas que visem o contexto de pobreza econômica e exclusão social em que vivem os donos dos animais de tração, que realizam um trabalho pressionado por ativistas contrários ao uso de animais, com o pretexto que as populações são expostas a um quadro de elevada degradação ambiental, com a formação de lixões em áreas urbanas e que esse tipo de trabalho também impõe aos animais uma vida de castigos, privações e maus tratos. É preciso também, que projetos saem do papel e o ativismo contrário apresente propostas de soluções nas ações, sem precisar denegrir, marginalizar ou desmerecer o “carroceiro” como mero catador de lixo. Não podemos classificar os carroceiros como malfeitores e os que não respeitam o bem estar dos animais, deve ser orientados e capacitados, para que respeitem códigos de conduta de cada cidade.

Com o desordenado número de carroceiros, o município de Nova Iguaçu, precisa de iniciativas para minimizar o crescente número, ordenar e valorizar essa atividade, que de alguma forma, é útil nas comunidades. Sendo exemplo de algumas prefeituras que citamos a seguir, enquanto isso, continuamos em nossas andanças.

· Campos/RJ – Visando regularizar a situação dos carroceiros, evitar multas e recolhimento das carroças e animais. A prefeitura cadastrou os carroceiros para ajudar e facilitar na limpeza do município e exigindo o cumprimento da legislação. Uma das finalidades da operação não era só regularizar a situação dos carroceiros, também a saúde dos animais, colocadas ferraduras e realizadas vacinações obrigatórias;

· Curitiba/PR – O “Projeto Carroceiros de Curitiba” recebeu até homenagem. Um projeto de extensão da Universidade Tuiuti do Paraná, que visa garantir o bem estar de cavalos utilizados por coletores de materiais recicláveis de Curitiba, o projeto possibilita que os cavalos de catadores realizem exames gratuitos ambulatoriais visando à saúde dos animais. Além disso, os cavalos são cadastrados e seus proprietários recebem informações sobre a melhor maneira de tratá-los;

· Distrito Federal/DF – Um Decreto foi publicado em 2006 e instituiu o “Projeto Limpeza a Galope”, no programa a intenção era manter a limpeza da cidade, preservar e conservar o meio ambiente e promover socialmente os carroceiros e as famílias deles. Pelo decreto, os carroceiros foram retirados do Plano Piloto e os veículos de tração animal só podem transitar nas vias públicas se estiverem registrados, licenciados e identificados;

· Maceió/Al – “Projeto Carroceiro Legal”. Desenvolvido pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), com o apoio do Ministério Público Estadual. A iniciativa visou melhorar as condições de trabalho e de vida dos carroceiros e de seus animais;

· Belo Horizonte/MG – Um projeto multidisciplinar da UFMG mudou a vida dos carroceiros e alcançou até reconhecimento nacional. Eles foram reconhecidos como profissionais, e puderam, inclusive, contribuir para o Instituto Nacional da Previdência Social como Carroceiros. Ganharam identidade, placa nas carroças e um amplo programa de atendimento a eles e a seus animais. Multidisciplinar, o projeto incorpora as escolas de Medicina e de Farmácia e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. O Projeto “Solidariedade a galope” levar ao carroceiro a consciência profissional e destacá-lo como agente de preservação ambiental. O resultado positivo levou os carroceiros integrar, por exemplo, um programa de reciclagem de restos da construção civil;

· Ponta Porã/MS – Carroceiros que ganham a vida fazendo fretes na cidade são os maiores aliados e garantem a limpeza na área urbana da cidade. A Prefeitura cadastrou todos os carroceiros em um programa e que atuam na cidade. Só carregam cargas de entulhos, restos de materiais de construção e galhos de árvores podadas;

· Teresina/PI – Em conjunto com Associação dos Trabalhadores em Veículos de Tração Animal, no bairro São Joaquim, administrando cursos de capacitação profissional, como mecânica, marcenaria, carpintaria, pedreiro, eletricista e encanador. A prefeitura também ajudou na aquisição de novos animais para substituir utilizados pelos carroceiros e que tiveram que ser sacrificados em decorrência de enfermidades.