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By tecnicoemagropecuaria.blogspot.com

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6 de fevereiro de 2011

Cemitério dos Passarinhos (idealizador Pedro Paulo Bruno) Ilha de Paquetá


 
Cemitério de passarinhos - Ilha de Paqueta

Vejam as demais fotos no final do texto:

A “marcha fúnebre” são os próprios pássaros que sobrevoam os arbustos no local, que cuidam da trilha sonora. Os passarinhos gozam desse prestígio, onde são tratados com tal carinho e afeto que mereceram até um cemitério próprio. O cemitério exclusivamente de passarinhos, localizado na Ilha de Paquetá (Baía de Guanabara) no Rio de Janeiro, é o único no mundo, onde são respeitosamente sepultados os pássaros. O Cemitério de passarinhos, ao contrário do que muitas fontes descrevem, afirmando que ninguém sabe exatamente quando ele surgiu, foi idealizado em 1915 por seu fundador Pedro Paulo Bruno, um nascido e ilustre morador da Ilha de Paquetá.
Pedro Bruno nasceu na Ilha de Paquetá em 14 de outubro de 1888, e desde menino, seu brilhante espírito manifestou interesse pelas artes. Gostava de poesia, música e canto lírico, desenho e pintura, escultura, enfim, tudo que era expressão de belo do gênio humano e da natureza. Dotado de uma sensibilidade artística comparável a dos maiores artistas da história universal. Sobre os pássaros dizia:

- Na garganta de um pássaro que canta, há sempre o espírito imortal de um poeta.

- Pássaros de minha Ilha: ouço no teu canto a voz dos poetas do meu Brasil.

O artista Pedro Paulo Bruno
Dentre os seus projetos, iniciativas e belíssimas obras de Pedro Bruno, estão o planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá (de humanos), transformando-o num verdadeiro jardim. Ali plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas esculturas. A Capela do Cemitério também é de sua autoria. Ali deixou dois quadros seus: Jesus Cristo no Calvário e São Francisco de Assis falando aos Pássaros. Anexo, no mesmo espaço, está o cemitério de passarinhos e aves em geral, com 24 minúsculos túmulos, que têm 40x30cm por fora e mede 20x10cm por dentro.
Um belíssimo recanto ajardinado e ornamentado de esculturas, destacando-se a que retrata a tristeza de um pombo, ao lado de sua companheira morta. Um espaço que desperta atenção e curiosidade, o cemitério de passarinhos de Paquetá é assim, com imagens barrocas de anjos que dão lugar a esculturas de pássaros como as peças "O pássaro abatido" e "O pouso do pássaro cansado".
O Cemitério dos Pássaros na Ilha de Paquetá, fica na Rua Joaquim Manoel de Macedo, assim batizada em homenagem ao autor de ‘A Moreninha’, romance pioneiro do Romantismo brasileiro no século XIX,  é um espaço público, não é um local abandonado como afirmam algumas fontes. Ao longo dos anos é mantido e conservado por moradores voluntários, como Dona Maria Félix de Souza e outros, que nunca cobraram nada para sepultar os passarinhos e nem para cuidar dos seus pequeninos túmulos e atualmente, é administrado pela Concessionária Santa Casa da Misericórdia do Rio e Janeiro.
Como os pequenos corpos dos pássaros se desintegram mais rapidamente do que os dos homens, é que provoca a alta rotatividade nos sepultamentos, o que permite “Cobrinha”, o atual funcionário, colecionar histórias do local. “Ouvi dizer que teve uma senhora que trouxe um papagaio que vivia com ela uns 25 anos. Depois vinha para visitar e trazia flores, como se fosse um parente”; “Teve outro que trouxe um passarinho e ficou o dia todo chorando”.
E para maior autenticidade, a vizinhança dos dois “Cemitérios” de Paquetá faz com que se deitem, lado a lado, os homens e os pássaros. Com inúmeros bebedouros de barro, donde os passarinhos vem em busca de água fresca para a sede e para o banho e, assim, trazem a consequência natural dos seus gorjeios, a paz de seus “moradores”, como era da vontade de seu idealizador e fundador Pedro Paulo Bruno, que desapareceu fisicamente no dia 2 de fevereiro de 1949.

O Cemitério desperta curiosidade de crianças e adultos









3 de fevereiro de 2011

Região Serrana – Perdas nos municípios, qual a verdade?


Defesa Civil em baixo e desordem populacional em cima

Nota: Vejam após o texto, as demais fotos

A tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro, provocado pelas chuvas é um fato que não é possível dimensionar as consequências futuras. O que era anunciado, não eram hipóteses e nem especulações. Vários estudos científicos foram feitos, confirmados e divulgados. Governos anteriores (atuais também), tanto estaduais, quanto municipais, além de ignorar, eram sabedores do que se poderia acontecer. Os interesses políticos ficaram acima das consciências.
As conclusões desses estudos apontavam que condições climáticas adversas, o desordenamento das populações, a falta de respeito ao meio ambiente e planejamentos com obscurantismos técnicos, fatalmente causariam o desastre, mais cedo ou mais tarde. Ao grosso modo, podemos dizer que “a hora” para acontecer à tragédia era apenas a vontade de Deus.
Por causa da topografia montanhosa, os municípios atingidos nunca se recuperaram. E não é preciso ser especialista para ter essa certeza. A imoralidade e inconsciência politica serão as mesmas, mais o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e das manifestações intelectuais, são transmitidos coletivamente e é típico de uma sociedade, isso não podemos ignorar e jamais serão afetados. Para aqueles que perderam suas vidas, nada mais significará, mais para os que tiveram prejuízos materiais, o sofrimento será longo, principalmente para aqueles que perderam, além de seus únicos bens (e não a dignidade), a confiança naqueles que os representam.
Quando tivemos na região como voluntário da Cruz Vermelha, o nosso afã, era apenas no intuito de contribuir de alguma forma, momentaneamente não enxergávamos dimensões técnicas, não era o momento e nem nossa atribuição, nem tão pouco, tínhamos formação para contestar a forma como a tragédia era tratada. Naquele momento, achávamos que todos estavam num só propósito, ajudar. Sem comportamento voluntarioso, não foi o que vimos. Figuras apareciam a todo o instante, se representando ou sendo representados em funções de lideranças que não lhes diziam respeito, quando da presença das lentes fotográficas e “televisivas” , ai é que tivemos a certeza de quanto o ser humano é capaz. Essas figuras representadas queriam ganhar créditos ou reconhecimentos de atitudes humanitárias que jamais tiveram, pois ignoraram os estudos científicos que anunciava a tragédia, na verdade, deveriam estar tentando dimensionar a valorização de suas consciências e não continuar mentindo para os sobreviventes os reais motivos da catástrofe, os valores em dinheiro perdidos e os que serão gastos na tentativa de recuperação. Mentem nos números de mortos e desaparecidos. Será que não sabem avaliar os números estatísticos anteriores? Basta ir aos municípios atingidos para saber que as perdas são maiores do que estão anunciando.
Tratando-se de populações, é que se tem a dimensão do que se esconde. O que nos fez ter atenção em números populacionais em áreas rurais, por exemplo, foi uma conversa com um agricultor sobrevivente no Município de Sumidouro (Distrito de Dona Mariana), na primeira semana da tragédia, dizia ele: -“Moço, a coisa aqui é bem pior para nós que só trabalha na terra, o patrão é coronel e ainda não apareceu por aqui. Nós vamos cobrar de quem os nossos prejuízos, tudo que plantamos tem que dividir e não somos dono das terras. Acho que ninguém sabe que existimos nesse lugar, só na hora do voto, quando chove é assim mesmo, só que a coisa agora foi pior”.
Comparando nesse único relato, então quais são os reais números? O IBGE passou recentemente nesses municípios e apresentou dados que nos deixam em dúvidas. Todos responderam ao censo/2010? Vamos comparar para saber se os números estão corretos com a realidade, para ver se é possível avaliar os prejuízos e quem deverá ter direitos das ações do governo.
Em 2004, o 1º Seminário de Gestão Participativa em Saúde da Região Serrana do Rio de Janeiro, apresentava os seguintes números da população: Nova Friburgo 176.699, Teresópolis 146.994, Petrópolis 302.477, Sumidouros 14.721 e São José do Vale do Rio Preto 21.231.

Municipios:

                             Pt/2000     Urbana     Z.Rural         Pt/2010    Urbana      Rural      Z.Rural
Nova Friburgo:    173.418      151.851    21.567       182.016    159.335   22.681   12.46%
Teresópolis:         138.081      115.198    22.883       163.805    145.473   18.332    11.19%
Petrópolis:           286.537      270.671    15.866       296.044    281.356   14.688      4.96%
Sumidouro:            14.176          2.334    11.842        14.920         5.458     9.462    63.42%
S. J.V.Rio Preto:   19.278          9.000    10.271         20.252         9.005   11.247    55.54%


Os municípios de Sumidouro e Petrópolis foi o que mais nos chamou atenção em comparações aos censos 2000/2010.
Na totalidade, Sumidouro aumentou apenas em 744 pessoas, entre 2010/2000. A área urbana aumentou de 2.334 para 5.454. A zona rural diminuiu, tinha 11.842 e passou para 9.462, perdendo 2.380 pessoas. Em 2004 a população era 14.721. A zona rural apresenta 63.42% da população. Estima-se quase 20 mil pessoas residindo naquele município, então, onde estão essas pessoas, foram recenseadas?
Petrópolis, em levantamento feito em 2004, tinha 302.477 e pelo Censo/2010 é de 296.044, perdendo 106.433 pessoas. Entre os Censos do IBGE 2000/2010 diminuiu apenas 9.513. A zona rural, que representa apenas 4.96%, também diminuiu em 1.178 pessoas. Estima-se que residem em Petrópolis quase 350 mil pessoas. É só ir lá e tirar as dúvidas, o número de casas nos morros e encostas é impressionante.
Com essa simples análise é que perguntamos, como as ações sociais chegarão para todos, se a desordem é total? Os números estão ai. A tragédia da Região Serrana é muito pior do que se imagina e veremos daqui algum tempo, alguém reclamando do desamparo porque foram esquecidos, apenas por suas pobrezas.

Ricos e pobres, todos foram afetados:

Os ricos

os pobres







 




30 de janeiro de 2011

Região Serrana – Tragédia anunciada, o histórico de mortes por chuvas.

Para especialistas, a maior catástrofe da história do Brasil, era uma tragédia anunciada. A região serrana do Rio de Janeiro é castigada anualmente por deslizamentos de encostas e transbordamento de rios, e desde 2005, estudos apontavam que 33 mil pessoas viviam em áreas de risco. A conclusão é que condições climáticas adversas, o crescimento desordenado e falta de políticas habitacionais causariam o desastre.
Segundo estudo de Waleska Marcy Rosa, professora de Direito Constitucional do Centro Universitário Serra dos Órgãos, pelo menos 25% dos imóveis (cerca de 10 mil) de Teresópolis eram irregulares. Em Petrópolis, seriam no mínimo mil. Segundo a professora Waleska, há a falta de planejamento e legislação para o uso do solo. Em Teresópolis, a base legal é fraca, a omissão do poder público se repete ao longo de décadas. Ao invés de reprimida, a ocupação é estimulada com a instalação de serviços, como abastecimento de energia, água e asfalto, isso, nas áreas urbanas.

A região serrana tem triste histórico. Em 1987 deslizamentos em Petrópolis e Teresópolis mataram 282. Um ano após, Petrópolis teve sua pior enchente, com 277 mortos e 2 mil desabrigados. Em 2000, Friburgo, Petrópolis e Teresópolis foram devastados pela chuva, resultando em 5 óbitos. No ano seguinte, Petrópolis voltou a sofrer, registrando 48 mortes e 793 desabrigados. Em 2003, foram 33 mortos. Em 2007, 10 morreram em Friburgo, 8 em Sumidouro, 3 em Petrópolis e 2 em Teresópolis. Petrópolis registrou 9 mortes em 2008. Outro impacto negativo do crescimento desordenado na região é a falta de saneamento básico. Em Teresópolis, apenas 7,7% das moradias tinham rede de esgoto segundo o Censo de 2000, enquanto 37,15% dos dejetos produzidos na cidade eram diretamente lançados em rios e lagos. Na mesma época, Petrópolis lançava 15,2% dos seus dejetos em rios.

Nas zonas rurais, estimam-se que cerca de 200 mil pessoas “trabalhavam” em pequenas propriedades na Região Serrana (proprietários, posseiros, meeiros e trabalhadores com ou sem registro), principalmente, os envolvidos na agricultura familiar. Em algumas áreas, a chuva arrastou até a camada fértil do solo.

Área rural antes...

...e depois das chuvas.

O rastro de destruição é inacreditável na Região Serrana do Rio de Janeiro, principalmente nas áreas rurais. Não precisa ser especialista para saber que o prejuízo econômico é incalculável. Plantações inteiras de hortaliças e legumes foram arrasadas. Em algumas propriedades, a água arrastou, além de plantações, a camada fértil do solo e o subsolo, deixando as rochas expostas. Nesse caso, é perda total. Será impossível voltar a plantar e produzir nas áreas atingidas. Em outras, a lavoura ficou razoavelmente preservada, mas os agricultores correm o risco de perder tudo porque a situação das estradas impede o escoamento dos produtos, ou o desmatamento no “pé” de morros corre risco de novos deslizamentos.

No detalhe, área de plantio após desmatamento.

A região serrana é responsável por metade de toda a produção de olerícolas, e 70% de todas as hortaliças folhosas. A floricultura que movimenta a economia de Nova Friburgo e arredores responde por quase 90% da produção fluminense. O impacto social da destruição é enorme, devido ao perfil dos agricultores, a esmagadora maioria formada por pequenos proprietários. São 17 mil produtores (registrados), e cada um trabalha com pelo menos mais dez pessoas, entre familiares e empregados.

Será preciso uma politica séria para as próximas ações, principalmente, para a agricultura, pois, os dados divulgados não são precisos, levando-se em conta que muitos agricultores, são meeiros, não tinham títulos de suas terras, não estava associado a nenhuma entidade ligada à atividade agrícola ou pecuária, nem sequer, receberam visita ou foram entrevistados por recenseadores do IBGE em 2010. A pergunta é: Como serão ajudados pelas ações do governo? Sobre esses dados, falaremos no próximo post.

26 de janeiro de 2011

Tragédia na região serrana - Consumo de animais

Animais circulam em áreas rurais devastadas

Um risco iminente é o abate de alguns animais de produção para consumo. A falta e distribuição de alimentos em áreas isoladas ainda são precárias ou a ajuda não chegou. Fatalmente animais de pequeno e médio porte serão utilizados, tendo em vista que muitos desses animais servem para a subsistência das famílias como fonte de alimentação (galinhas, patos, suínos e coelhos). Vimos e fizemos imagens de inúmeros animais em áreas atingidas apenas pelas águas. Em alguns sítios, o comprometimento da sanidade é aparente. Doentes, os animais se comportam de forma prostrada ou pastejam em áreas contaminas.
Sabemos que as prioridades são para vidas humanas, mais é necessário que especialistas ou técnicos, orientem as equipes de resgate e atentem para esse perigo. Como voluntário e formação técnica em agropecuária, fiz o meu papel, mais para os que continuam na região devem insisti nessa orientação.

Teresópolis - Tragédia na região serrana - Ajuda em Santa Rita


Equipe de apoio e rastreamento - Distrito de Santa Rita/Teresópolis

Estamos em Teresópolis, uma das cidades atingidas pelas chuvas, preparando matéria para publicar no blog. Neste post vamos apenas colocar algumas imagens da zona rural da cidade. Estou fazendo parte de uma equipe de resgate composta de vários voluntários, com funções divercificada: resgate de moradores isolados, localizar corpos, ajuda médica, resgate de animais com traumas fisicos ou perdidos, apoio psicológico aos sobreviventes, envio de alimentos e água, bem como, orientação sobre o não consumo de alimentos e animais  que tiveram contato com as águas da enchente ou deslizamentos, sobre tudo, hortaliças e animais (exemplo: galinhas, suínos, caprinos e outros), de produção.
Equipe formada, veja abaixo:

GRBS - Comandante Santos e seus comandados: Geísa Macedo, Marcilio Cardoso, Gian Carlo, Jorge Natalino e Jonatham (resgate e apoio ao grupo):
CRUZ VERMELHA/RJ: João Felix (resgate e ajuda aos animais);
DEFESA CIVIL de Queimados: Alex Groetars e André Faria (resgate de sobreviventes) ;
DIR. GRUPO DE ESCOTEIROS DE DUQUE DE CAXIAS: Angelo Brasil;
Equipe médica e enfermagem e voluntários de apoio de Teresópolis: Sete integrantes (atendimento médico e psicológico);
EQUIPE DO EXÉRCITO: Sete integrantes (transporte da equipe e segurança):

Nota: enviamos esse material (imagens) usando notebook com conexão em 3G, por colaboração de Patricia, voluntária e moradora da região. Veja abaixo as imagens:

A chegada do grupo em Santa Rita

No detalhe: Comandante Santos, lider do grupo GRBS

Assim estava Santa Rita - Área de moradores e produtores agrícola


Aqui existia plantio de hortaliças - Santa Rita

A jornada do grupo

Zona rural, o encontro da tragédia

Área de produção agrícola de Santa Rita

Como membro do grupo - Minha chegada ao haras da fazenda Santa Rita

 
Durante as jornadas do grupo, como voluntário, essa era a minha missão, localizar animais e comunicar as equipes de veterinários

Famintos, doentes e desorientados, muitos animais continuam a espera de ajuda.

 
Apoio do GRBS no resgate de animais perdidos na região

Em Santa Rita muitas áreas de produção de hortaliças estão assim abandonadas pelo isolamento da região


Atendimento médico aos agricultores isolados

Foto de Angelo Brasil - Sobrevoo de aeronave em área agricola isolada.






23 de janeiro de 2011

Sumidouro - Tragédia na região serrana - Ajuda ao Distrito Dona Mariana


Hoje (23/01/2011), assistindo o programa Globo Rural, dos conteúdos do programa, o que mais nos chamou atenção, foi à abertura, onde dizia: “A natureza sempre surpreendeu. O que podemos fazer é não agravar as condições que facilitem os desastres. A natureza sempre surpreendeu os sábios, os cientistas, os políticos e os profetas”.
E como estamos preparando o nosso histórico de nossa contribuição como voluntário na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro, para publicar em nosso blog, o que vem mais nos surpreendendo, são a forma como a catástrofe vem sendo tratada pelos políticos. Pelo o que nos ocorre e surpreende mesmo, são suas atitudes e mentiras. Não sei porque ou qual intenção em esconder a real situação daquele povo sofrido da região serrana. Não sei como “eles” tem a coragem e a cara de pau de posar para as câmaras e lentes fotográficas e dizer que recuperaram as áreas devastadas.
Estamos verificando os dados demográficos (IBGE 2010) dos municípios afetados, sobretudo, das áreas rurais. A coisa é tão complicada de entender e opinar, que temos receio em descrever aqui o que vimos por lá. Só pra se ter ideia, nas áreas rurais, a maioria são meeiros ou empregados nas atividades da agropecuária e de agricultura familiar. Dos que sobreviveram, a maioria perderam suas produções ou não há forma de escoar seus produtos. Com o comprometimento das estradas e da fertilidade do solo, que com certeza, lavará anos para recuperar (ou nunca), terão ainda, a preocupação de pagar os seus financiamentos, pois a única solução encontrada no momento é a prorrogação para 180 dias a partir da data de vencimento das operações. Estima-se em 913 o número de agricultores abrangidos pela medida, os números são “furados”. Gostaria de saber qual a mágica que os atingidos farão para cumprir isso, diante da catástrofe. E para os mortos e desaparecidos, qual é a proposta? Ficarão com dividas?
Então para tentar intender “a magica” dos políticos, começaremos mostrando imagens do Município de Sumidouro, que “tinha” 14.920 habitantes, que “tinha” 9.462 na zona rural, que significava 63,42% da população (IBGE 2010). As equipes de resgate tiveram dificuldade de chegar aos distritos de Campinas, Santo André, Dona Mariana e Simões. A nossa não conseguiu chegar ao Dona Mariana (o mais afetado), enquanto isso, não muito longe de nossa equipe, caía um helicóptero do Exercito.

Vejam abaixo as imagens e reflitam:

Estrada de acesso ao distrito de Dona Mariana

Foto de Angelo Brasil: Área rural de Sumidouro (Dona Mariana)

Foto de Angelo Brasil: Escola as escura (abrigo aos sobreviventes e desabrigados)

Foto de Angelo Brasil: Área rural de Sumidouro

Foto de Angelo Brasil: Área rural de Sumidouro

Foto de Angelo Brasil: Área rural de Sumidouro (Dona Mariana)

16 de janeiro de 2011

Seja um voluntário da Cruz Vermelha


Foto: Caminhão sendo abastecido com donativos para Nova Friburgo - Sede da Cruz Vermelha - Rio

Fomos até a Sede da Cruz Vermelha no centro do Rio para entregar alguns donativos e lá chegando, integramo-nos as equipes de voluntários. Notamos que os donativos que chegam a todo o instante não são suficientes, mesmo que nossa impressão fosse de grandes proporções. A quantidade de caminhões também não é suficiente para levar os donativos até as cidades atingidas.
Apuramos em conversa com outros voluntários que chegam dessas áreas em seus próprios veículos (para pegar donativos), que à medida que as equipes de resgate avançam por áreas devastadas pelas chuvas, a tragédia na região serrana do Rio ganha contornos ainda mais dramáticos. São mais de 8 mil desalojados (retirados de suas casas) e mais de 6 mil desabrigados (que perderam suas casas). Eles afirmam que estes números ainda podem crescer drasticamente nos próximos dias, diante das dificuldades de avanço de equipes de socorro para as áreas rurais que estão totalmente isoladas e sem ajuda.

Fonte: Foto do Site da Cruz Vermelha - Área rural devastada

Emboramente a prioridade de resgate e ajuda está direcionada as vitimas humanas, principalmente a procura de corpos, o número de animais abandonados e feridos são assustadores, relatam eles, a quantidade de ração e medicamentos veterinários não é suficiente e precisa de profissionais voluntários para atuar neste setor, pois muitos animais podem estar doentes e contaminados e precisam ser vacinados. Outro risco é o abate de alguns animais de produção para consumo, uma vez que, com a falta de alimentos em áreas isoladas e que é tardia a ajuda, fatalmente esses animais serão utilizados, tendo em vista que muitos desses animais servem para a subsistência das famílias, como fonte de alimentação.

Com o cadastramento como voluntario, iremos integrar na próxima quarta-feira (19/01) a equipe que será formada para atuar exclusivamente para este fim, para possível resgate de animais, alimentação, vacinação e orientação aos desabrigados para que não consumam animais com a sanidade comprometida. As equipes serão compostas de Veterinários, Zootecnistas e Técnicos das áreas de Agropecuária, Agrícola e de Meio Ambiente.





15 de janeiro de 2011

Áreas rurais. A tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro

Fonte: foto do blog do Amaral
Em solidariedade aos familiares, sobreviventes e vitimas atingidas pelos deslizamentos provocados pelas fortes chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro, deixaremos de publicar este mês, assuntos relacionados às áreas rurais agrícolas de Minas Gerais, por ocasião de nossa visita aos municípios de Sabará, Santa Luzia e Taquaraçu de Minas. Os assuntos previstos são: culinária e cultura do Ora-pro-nobis, qualidade do leite e seus derivados em pequenas propriedades, falta de orientação técnica por parte das secretarias municipais e o desconhecimento da legislação e benefícios nas ações sociais do governo federal.
Acompanharemos ações de resgates nas áreas rurais atingidas, como: Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Sumidouro. Transcreveremos notícias e imagens dessas localidades, bem como, citaremos as fontes de informações dessas ações.
Cabe esclarecer, que este blog não tem o perfil de noticiar assuntos que não sejam de interesse estudantil, de formação técnica e relacionada à agropecuária e agroecologia. Mais, diante da catástrofe ocorrida, é interesse noticiar os acontecimentos das áreas exclusivamente agrícolas que foram destruídas, onde residem e trabalham pequenos agricultores, da agricultura familiar, e principalmente, profissionais que atuam ou que estavam estagiando nas atividades da agropecuária e que precisam de ajuda e orientação.

Nesse momento, toda a ajuda é bem vinda e todas as ações são prioritárias. O que deve ser feito, é o encaminhamento de equipes especializadas, exclusivamente para estas áreas, pois, só a agricultura familiar da Região Serrana, somam 17 mil produtores que sobrevivem da atividade e movimentam cerca de R$ 850 milhões por ano, por tanto, não podem ser esquecidos.






6 de janeiro de 2011

Presépio do Pipiripau

Deixamos de publicar alguns assuntos importantes aqui prometidos em 2010, tais como: Acidentes com tratores, Segurança no Trabalho em áreas rurais e as Normas Reguladoras; que mereceu pesquisa mais aprofundada e discussão com técnicos e professores especializados, bem como, comentar sobre a enquete postada neste blog sobre o assunto. Em nossas andanças, aproveitamos para fazer algumas visitas técnicas, buscando assuntos que pudece ser de interesse aos nossos leitores para 2011, como: Plantas medicinais, Qualidade do leite em pequenas propriedades e a falta de orientação técnica e apoio das Secretarias de Agricultura em pequenos municípios para pequenos produtores.
Visitamos a UFMG (Universidade Federal de Minais Gerais), e para nosso interesse, fotografamos, fizemos leituras de algumas obras de interesse técnico e conhecimento em todos os setores: canteiros de ervas medicinais e aromáticos, solo, adubação, sementes diversas, plantas raras e em extinção, entre outras.
Nessa visita, pudemos apreciar obras e achados importantes da mineração, história da colonização e a diversidade cultural do povo mineiro, tudo localizado e bem organizado no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG.
E entre tudo lá exposto, encontramos uma obra prima, que não podemos deixar de comentar, que é o PRESÉPIO DO PIPIRIPAU, construído a partir de 1906 por Raimundo Machado de Azevedo (foto 2) que revela a singeleza característica dos presépios mineiros. O Presépio do Pipiripau, segundo informações do monitor que nos acompanhou, retrata 45 cenas da vida de Cristo, nas quais 580 figuras se movem e retrata muito da vida cotidiana de Belo Horizonte ao longo das primeiras décadas do séc. XX. Devido a seu enfoque cultural e religioso, além da técnica e arte adotadas, foi tombado em 1984 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O seu autor (artista), mineiro de Matozinhos, nasceu em 1894 e foi casado com Ermenegilda Machado, com quem teve nove filhos. O senhor Raimundo, estudou pouco, apenas o Curso Primário, foi balconista e funcionário da Prefeitura de BH e da Central do Brasil. Obteve o ofício e experiência na área de mecânica. Prestou serviços a Empresa de Engenharia Gravatá e aposentou-se em 1960 pela Imprensa Oficial. Raimundo Machado de Azevedo, mesmo criado em ambiente simples e religioso, desde menino tinha fascínio pelos presépios montados durante o natal.

O Presépio do Pipiripau é uma belíssima obra de arte. Vale apena conferir.